A
regulamentação dos alimentos orgânicos, que está
em vias de ser enviada à Casa Civil pelo Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é
considerada importante para o setor porque definirá, entre outros
pontos, a rotulagem de produtos orgânicos para a venda e um
selo federal de conformidade orgânica. O selo e os rótulos
poderão ser aplicados também a outros produtos que não
alimentos, por exemplo roupas, tênis e calçados
produzidos com algodão, couro e borracha orgânicos.
O
selo federal e a rotulagem serão a representação
mais visível da regulamentação do setor. As
empresas, cooperativas e certificadoras de produção
orgânica esperam que ele ajude a orientar o consumidor na hora
da compra e aumentar as vendas. Foi o que ocorreu na Europa, em
meados dos anos de 1990.
Atualmente,
o consumidor brasileiro pode encontrar nas prateleiras, entre
produtos importados ou produzidos no país, os selos das cinco
correntes internacionais dominantes de produção
orgânica certificada, conforme
seus princípios e origem histórica.
E a rotulagem de orgânicos mistura-se à de alimentos
integrais, macrobióticos, naturais em geral e outros. Há
confusão de orgânicos principalmente com os rótulos
“caipira” (para ovos e frangos) e hidropônico, que é
quase o oposto de orgânico, uma vez que a adubação
desses alimentos frequentemente é feita apenas com adubos
químicos.
De
acordo com a Instrução
Normativa 16, de 2004, haverá dois rótulos: o
de produto orgânico, para alimentos ou produtos que contenham
pelo menos 95% de componentes orgânicos (excluídos água
e sal, no caso de alimentos) e o de produto com ingredientes
orgânicos, para os que contiverem “pelo menos 70% de
ingredientes orgânicos”. Essa rotulagem é a mesma
adotada pela União Européia, em vigor desde 1993.
Já o selo federal estará definido apenas no projeto de
lei que está tramitando entre os ministérios, para ser
enviado à Casa Civil. Segundo Roberto Mattar, chefe de Divisão
de Mecanismos de Garantias de Qualidade Orgânica do ministério da Agricultura, o
governo federal concederá o selo às empresas e
cooperativas credenciadas, não aos produtos. De acordo com
Rogério Dias, coordenador de Agroecologia do ministério, esse selo
também será regulamentado depois e sua forma final
provavelmente será escolhida através de um concurso
público.
Tereza
Cristina de Oliveira Saminez, responsável pelo Serviço
de Normas Técnicas e substituta da mesma coordenação
do ministério, explica que o selo de credenciamento federal deverá
ser obrigatório em toda a cadeia de revendas de produtos
orgânicos, ou seja, supermercados, hipermercados, quitandas e
outros estabelecimentos. Ele não será obrigatório
para a venda direta do produtor ao consumidor.