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São Paulo - Estudantes bolsistas do Programa Universidade para
Todos (ProUni) de São Paulo entregaram uma carta ao ministro
da Educação, Fernando Haddad, na tarde de hoje (24), com
nove reivindicações e sugestões de melhorias ao
programa. Entre elas, os estudantes pedem mais clareza de critérios
e informações sobre o programa, o incentivo de ingresso
em cursos de pós-graduação e o fim da exigência
de comprovação de renda anual.
A carta foi entregue durante o 1º Encontro
dos Estudantes do ProUni, organizado pela União Estadual dos
Estudantes de São Paulo (UEE), pelo Centro de Estudos e
Memória da Juventude (CEMJ) e pela União Nacional dos
Estudantes (UNE), em São Paulo.
Haddad disse que "a maioria das reivindicações é
muito procedente" e afirmou que a resposta para o documento apresentado pelos
estudantes será "rápida" e pode ocorrer até
o final deste ano. "Vamos processar pela nossa consultoria
jurídica. Já há uma comissão instalada
que vai se unir com mais periodicidade. O documento está muito
bem formulado, sem dúvidas sobre o que eles estão
reivindicando, de modo que a resposta é mais simples quando a
demanda é mais objetiva", explica.
De acordo com o ministro, um dos itens
considerados mais polêmicos é o que diz respeito ao fim
da comprovação de renda anual dos estudantes.
"Entendo que os casos apresentados são
bastante tocantes porque muitas vezes alguém da família,
ao longo de quatro ou cinco anos, arruma um emprego e o estudante se
vê ameaçado com a perda de bolsa", afirmou. "No
início do programa fomos muito rígidos com isso porque
imaginamos que poderíamos perder o controle sobre quem seriam
os bolsistas do programa. Hoje é possível repensar essa
rigidez sobretudo pelos exemplos que eles nos trazem e nos tocam",
disse Haddad, acrescentando que, em caso de mudança, o governo
não vai dar "abertura para que alguém possa se
beneficiar indevidamente" do ProUni.
Para o presidente da UEE, Augusto Chagas, o
critério da comprovação da renda precisa ser
revisto porque o estudante pode sair de uma determinada faixa
salarial para outra um pouco maior que não permite que ele
pague a mensalidade de um curso superior. "Essa questão é
polêmica, mas achamos que grandes mudanças (salariais)
são raras exceções. Não se pode fazer a
regra baseada na exceção", afirma.
Lúcia Stumpf, presidente da UNE, afirmou
que o movimento estudantil vai continuar lutando para garantir que o governo cumpra as reivindicações. "Vamos nos organizar dentro de cada
universidade e fazer as mobilizações que forem
necessárias para que elas sejam implementadas", disse
ela, destacando que a UNE pretende lutar também para que "as
bolsas do ProUni sejam oferecidas em instituições com
qualidade referenciada e que respeitem o processo democrático", diz.
Para estudantes bolsistas do programa que
participaram do evento de hoje, um dos grandes problemas do ProUni é
a questão da transferência de unidade, turno ou curso,
negada pelas faculdades de ensino. "Se você muda de casa, você não
pode mudar de unidade de ensino e pode perder a bolsa", explica
Daniel Lopes, estudante de biologia da Universidade Estadual Paulista
(Unip) e bolsista integral do ProUni há dois anos.
Durante o evento, Haddad adiantou que a Caixa
Econômica Federal vai abrir um programa para priorizar a
contratação de estagiários do ProUni. Segundo
ele, a proposta ainda não tem data para ser anunciada, mas
deve ser levada depois para outras estatais.
As inscrições para o processo
seletivo para o primeiro semestre de 2008 do ProUni começam
nesta segunda-feira, somente pela internet, na página
eletrônica do programa. Para participar, o estudante deve ter
obtido, no mínimo, 45 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) e ter cursado o ensino médio em escola pública
ou como bolsista na rede particular de ensino. O estudante também
deve comprovar renda familiar de até um salário mínimo
e meio (R$ 570) para obter a bolsa integral, e de até três
salários (R$ 1150) para a bolsa parcial.
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