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São Paulo - O
atraso na finalização e assinatura da lei que
regulamentará a produção e a venda de produtos
orgânicos no Brasil se deve aos processos jurídicos que
ela abrange e aos cuidados prévios julgados necessários
pelos profissionais das áreas jurídicas do governo
federal. Esta é a opinião do Roberto Mattar, chefe de
Divisão de Mecanismos de Garantias de Qualidade Orgânica
do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Mattar
admite que a finalização da lei está demorando,
mas explica que a nova legislação abrange muitos
setores e legislações em vigor, como as de alimentos
vegetais e animais, in natura e processados industrialmente,
latícinios, têxteis, cosméticos, calçados
e acessórios, brinquedos, móveis entre outros, tanto
nos aspectos de produção quanto em fiscalização
e vendas no mercado interno e exportação. Ele atribui a
demora a essa complexidade jurídica e às
demandas que gerou aos profissionais das áreas jurídicas
do ministério da Casa Civil.
Segundo
Araci Kamiyama, coordenadora-executiva da Associação de
Agricultura Orgânica de São Paulo, a situação no Brasil não é diferente da que ocorre em outros países. "Na maioria dos
países, a agricultura orgânica se desenvolveu da mesma
forma. Ela começa como uma iniciativa da sociedade civil e
quando ela começa a se constituir com importância no
mercado, o poder público entra para fazer as regulamentações.
É nesse momento que a gente está”, avalia.
A
regulamentação de orgânicos foi também
demorada em mercados de grande extensão territorial, como os
Estados Unidos e a atual União Européia. Em 1991, a
então Comunidade Econômica Européia regulamentou
pela primeira vez o setor, com uma padronização para os
alimentos orgânicos vegetais, com a medida ECC 2.092/91, mas os
alimentos animais foram regulamentados apenas em 1999, com a medida
ECC 1.804/99.
Nos Estados Unidos, o
marco regulatório teve início em 1990 com a aprovação
pelo congresso da Ata de Produção de Alimentos
Orgânicos (Organic Foods Production Act), que
criou o Conselho de Padronização Nacional de Orgânicos
(National Organic Standards Board). Mas a primeira
Proposta de Lei do Programa Nacional de Orgânicos só
seria aberta à consulta pública em 1998 pelo
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Aprovada como
lei em março de 2000, depois ela foi suspensa, refeita e
reapresentada no final do mesmo ano para nova consulta pública.
O credenciamento das instituições certificadoras e a
entrada em vigor da legislação só ocorreram a
partir de 2002, num processo que demandou quase 12 anos.
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