O setor de produtos
orgânicos está cobrando do governo federal rapidez no
processo de regulamentação da Lei 10.831, sancionada
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 23 de dezembro de
2003. A lei em questão disciplinará a produção,
a certificação, a fiscalização e a
comercialização de produtos orgânicos no país.
O
anúncio de que a lei poderá ser assinada “em breve”
foi feito em São Paulo no dia 16 de outubro, pelo ministro da
Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, Altemir Gregolin, durante a
abertura da feira Biofach América Latina, que promove a produção de orgânicos. Mas o mesmo anúncio
foi feito nas duas feiras anteriores, pelos ministros da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, Luís Carlos Guedes Pinto, em
2006, e Roberto Rodrigues, em 2005.
De acordo com o presidente
da Câmara Setorial da Agricultura Orgânica e diretor da
Associação de Certificação Instituto
Biodinâmico (IBD), José Pedro Santiago, o texto do
decreto de regulamentação e as instruções
normativas referentes à lei estão prontos desde
dezembro de 2005 e aguardam a aprovação do governo para
entrar em vigor.
"O mercado orgânico está
sofrendo com essa demora”, avalia Santiago. Segundo ele, o texto do
decreto que regulamenta a lei é resultado de uma discussão
"ampla e democrática" realizada por todos os
representantes dos movimentos, associações e empresas
do setor e órgãos do governo ligados à
agricultura orgânica através da câmara setorial.
Santiago qualifica a demora na tramitação desse decreto
como “absurda”.
Para
Araci Kamiyama, coordenadora-executiva da Associação de
Agricultura Orgânica de São Paulo, a legislação
proposta é de fato representativa do setor. “Foi até
esse o depoimento de pessoas ligadas ao ministério que falavam
‘nossa, eu nunca vi um assunto ter tanta discussão antes
mesmo de ele ser regulamentado’”. Mas Kamiyama diz que “hoje,
não é porque não tem essa regulamentação
que não exista nenhum tipo de lei, de normas”. Ela lembra
que já existiam instruções normativas antes e
que as exportações não pararam porque os países
compradores tinham definidas as certificações que
eles aceitam dos produtos daqui.
A
responsável pelo Serviço de Normas Técnicas e coordenadora substituta de Agroecologia do Ministério da
Agricultura, Tereza Cristina de Oliveira Saminez, afirma que já
foi fechado um acordo entre todos os ministérios envolvidos no
processo de regulamentação e que nenhum deles está
fazendo novas reivindicações.
O texto referente
ao decreto já foi assinado pelo ministro da Agricultura,
Reinhold Stephanes, e enviado aos Ministérios da Saúde,
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, do Desenvolvimento Agrário e do Meio Ambiente, para colher
assinaturas eletrônicas dos ministros. Até este momento, o texto ainda continua em trâmite nesses
ministérios. Após essas aprovações, o
decreto será encaminhado à Casa
Civil.
Segundo a assessoria de imprensa da Casa Civil, após
receber o projeto com todas as assinaturas, será realizada
ainda uma checagem final de constitucionalidade das medidas e a
apreciação do mérito, antes da apresentação
ao presidente da república. Após a aprovação
do decreto, segundo Saminez, a regulamentação ainda
será detalhada por instruções normativas da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que tratam dos
insumos que podem ser utilizados, e do Instituto
Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), sobre os mecanismos
para garantia da qualidade orgânica. Essas normas vão à
consulta pública. Concluído o processo, todo o setor
terá de se adequar à lei e às normas num prazo máximo
de dois anos.