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Brasília - O Relatório de Desenvolvimento
Humano (RDH) 2007/2008, lançado hoje
(27) em Brasília pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
(Pnud), revela que pela primeira vez em sua história o Brasil entra no grupo de países
classificados na categoria Alto Desenvolvimento Humano, ainda que continue distante
do patamar de outras nações em desenvolvimento, como Argentina,
Chile, Uruguai, Costa Rica, Cuba e México.
Para o assessor especial do Pnud,
Flávio Comim, o quadro inusitado deve ser encarado pelo governo brasileiro como motivo de comemoração e de alerta. “O fator
simbólico reflete um esforço feito, mas é também um convite para se definir
estratégias com velocidade que permitam
ao Brasil chegar na mesma posição dos latino-americanos que seguem à frente.”
Os números do relatório se
referem a dados consolidados de 2005.
Em uma variação de 0 a 1, o Brasil alcançou 0,800 no relatório, índice considerado o marco para se falar em
alto desenvolvimento humano (o índice da Islândia, país que lidera o
ranking, é de 0,968). A melhora foi
puxada por crescimentos específicos detectados a partir da revisão de métodos de cálculo. Em termos reais, a
expectativa de vida passou de 71,5 anos, em
2004, para 71,7, em 2005. A renda per capita experimentou acréscimo de US$ 77,00,
saltando de US$ 8.325,00 para US$ 8.402,00. Um destaque positivo do Brasil,
segundo o documento, é a taxa de matrícula escolar (87,5% das pessoas com até
22 anos) situar-se entre as 36 mais altas do mundo.
A despeito dos
avanços, no ranking geral de desenvolvimento humano o Brasil caiu do 69° para o 70° lugar. Ultrapassou a ilha
caribenha de Dominica, e foi superado por Arábia Saudita e Albânia, que
apresentaram avanços mais significativos em educação e
expectativa de vida, respectivamente.
Flávio Comim lista cinco aspectos a
serem priorizados: a redução de pobreza, de desigualdade,
de mortalidade infantil e materna, e a ampliação do saneamento básico, presente em 75% do país. A mortalidade infantil chega a 99 para cada 1.000
nascidos vivos ( índice típico de países africanos), entre os 20% mais pobres
.
Mas o maior vilão do
desenvolvimento humano no Brasil é mesmo a desigualdade de renda, segundo o
coordenador do relatório do Pnud, Kevin
Watkins. “ No Brasil a renda média é sete
vezes maior que no Vietnã, mas os 20% mais pobres daqui têm renda inferior aos
de lá”, exemplificou. A renda média dos
mais ricos brasileiros é, conforme o Pnud, 21,8 vezes superior à dos mais
pobres.
Apesar das ressalvas, Watkins, na
condição de observador internacional, reconhece que os programas sociais de
transferência no Brasil (como Bolsa Família e Bolsa Escola) já começaram a
reduzir a pobreza extrema e favorecer os mais necessitados: “O Brasil está
demonstrando, nos últimos quatro anos, com novas políticas públicas, que pode
combinar crescimento e distribuição de renda. Mas muito mais pode ser feito. O
bem estar de um país se mede pela condição de seu povo, e não pelo tamanho do
PIB ou das exportações.” Para Watkins, os pré-requisitos fundamentais para
resultados mais significativos em desenvolvimento humano seriam melhorar a distribuição das terras e de
crédito, cobrar impostos com mais eficiência e ampliar o espaço das
camadas marginalizadas na formulação de
políticas públicas. O Relatório de Desenvolvimento
Humano é traduzido
em mais de 100 línguas e lançado todos os anos em mais de 100 países, desde
1990.
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