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Brasília - Enquanto o bispo de Barra (BA), Dom Frei Luiz Flávio Cappio,
reinicia greve de fome contra a
transposição do Rio São Francisco, em
Limoeiro do Norte, no interior do Ceará, o clima quente e seco faz com que a população tenha uma visão favorável sobre o projeto do governo.
“Estamos no
semi-árido e toda água aqui é sempre bem-vinda. As pessoas estão a par das
coisas e esperam por isso”, disse em entrevista à Agência Brasil o bispo Dom
José Haring, responsável pela Diocese da cidade.
Apesar do apoio à transposição, Haring confessa ter dúvidas
sobre o alcance da água e sobre os benefícios reais para os mais pobres.
“É uma desconfiança que se alimenta
pelo passado, quando fizeram projetos de irrigação que beneficiaram só os
fazendeiros”, explicou o bispo.
O projeto de Integração do São Francisco pretende captar
água do rio e conduzi-la, por dois canais, a leitos secos e açudes. O Eixo Leste,
com 220 quilômetros, começa na barragem
de Itaparica, em Floresta, Pernambuco, com destino ao Rio Paraíba (PB). Já o Eixo Norte sairá de Cabrobó (PE),
percorrerá 400 quilômetros até os rios Salgado e Jaguaribe, no Ceará; Apodi, no
Rio Grande do Norte; e Piranhas-Açu, na Paraíba e Rio Grande do Norte.
O Rio São Francisco tem 2,8 mil quilômetros de extensão e corta
mais de 500 municípios, onde vivem aproximadamente 12 milhões de pessoas. O
Ministério da Integração Nacional sustenta que as obras devem reduzir a poluição da água, ampliar o acesso ao
recurso no semi-árido e melhorar a
navegação.
O bispo de Limoeiro alegou não poder comentar a legitimidade do ato do colega que protesta contra a transposição. Mas avalia que
a greve de fome pode ter resultado
eficiente.
“A primeira ação teve grande efeito, chamou atenção. E muitas vezes
as autoridades só reagem a partir de medidas drásticas”, afirmou Haring.
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