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Brasília - O
crescimento do número de crianças que ingressaram na
educação primária é um dos destaques
positivos do Relatório de Monitoramento Global do Educação
para Todos (EPT), lançado hoje (29) pela Organização
das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e Cultura (Unesco).
O relatório revela que o número
de matriculados na educação primária aumentou de 647 milhões em
1999 para 688 milhões em 2005. Se destacaram a África
Sub-Sahariana, com 36% a mais de crianças matriculadas, e o
Sul e Oeste da Ásia, com acréscimo de 22% no período.
O documento avalia como positivo o estabelecimento de percentual
específico de arrecadação fiscal destinado para
a educação básica, como determinam as Constituições
do Brasil e da Indonésia. Segundo a Unesco, 23 países
adotaram disposições legais para garantir a
obrigatoriedade do ensino primário desde 2000. Outra medida
que impulsionou as estatísticas foi o fato de governos em 14
países terem abolido neste tempo a cobrança de taxas
para a educação primária. A organização calcula, em 2005, uma redução mundial no número de crianças
fora da escola de 96 milhões para 72 milhões.
O relatório, entretanto, não esconde as mazelas do sistema. Independente
dos avanços numéricos, a Unesco ressalva que o acesso
ao ensino básico ainda encontra grandes barreiras.
“Apesar
do aumento global da escolarização, permanecem
disparidades nacionais, entre as regiões, províncias e
estados, assim como entre zonas rurais e urbanas. As crianças
pertencentes a populações indígenas se vêem
sistematicamente desamparadas, assim como as de meios sociais pobres,
as descapacitadas e as que vivem em periferias urbanas miseráveis”,
diz trecho do relatório.
O Educação para Todos (EPT) é uma publicação anual
feita por equipe independente da Unesco. O objetivo é acompanhar as metas estabelecidas - durante o Fórum de Educação de Dacar (Senegal)
em 2000 - para o desenvolvimento da educação até 2015. Entre as metas estão o fornecimento
de educação primária universal gratuita e
obrigatória, a ampliação em 50%
da taxa de alfabetização de adultos e a eliminação
da disparidade entre homens e mulheres em todos os níveis de
ensino.
Para
que o EPT seja atingido por países de baixa renda, a Unesco
estima que sejam necessários, anualmente, cerca de US$ 11 bilhões em financiamento externo para a educação
básica. Em 2005,
a ajuda por meio desse instrumentos não ultrapassou a marca de US$ 2,3
bilhões. França, Alemanha, Japão, Estados Unidos e Reino Unido
são os cinco maiores doadores para a educação. Os três primeiros priorizam, de acordo com a organização,
o ensino universitário.
Entre 1999 e 2005, mais 17 países conseguiram alcançar a paridade de gênero
na educação primária e 19 países, na secundária. O objetivo segue distante do ideal, pois a meta foi atingida em apenas
63% dos países no nível primário e 37% no nível
secundário.
De acordo com a Unesco, violências sexuais,
instalações de saneamento precárias e a
insegurança influenciam negativamente a permanência de
crianças do sexo feminino na escola. No relatório, o
órgão das Nações Unidas admite que "a
igualdade entre os sexos segue sendo difícil de alcançar”.
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