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Recife - Em uma das regiões que concentra o maior número de casos de aids no mundo, a África, a situação das pessoas infectadas pelo vírus se agrava com o comércio de remédios anti-retrovirais. No local, os próprios doentes vendem os remédios para comprar alimentos. A denúncia é feita pela representante da rede sul africana com serviços de aids, Mercy Machiya. Ela afirmou que o problema de acesso à comida é mais grave do que a falta de medicamentos.
A especialista esteve no Brasil esta semana para participar do fórum de
ativistas de direitos humanos que reuniu, em Recife, representantes
do Brasil e de mais 15 países. Mercy, que veio da Namíbia, afirmou que os grupos mais vulneráveis à contaminação pelo HIV estão na faixa etária de até 35 anos.
A representante explicou que,
como existem muitas vítimas fatais da enfermidade na região do sul da África,
milhares de crianças ficam órfãs e são educadas pelos avós, pessoas idosas
com pouco entendimento sobre a doença.
“Outro problema é que meninos e meninas atingidos
pela epidemia tomam a medicação de estômago vazio e aí surgem complicações
orgânicas, em função dos efeitos colaterais dos fármacos", frisou.
Ainda de acordo com a ativista, o mais
alto índice de infectados pelo vírus da aids no mundo está no país africano de Botswana, que
possui 38% da população atingida.
O
diretor do programa de aids das Nações
Unidas, Luiz Loures, reconheceu que a expansão do HIV na região sul africana é
preocupante e exige medidas emergências para combater a epidemia.
“A aids é
facilitada por dificuldades em falar sobre sexo na família e problemas
estruturais como a fome. Isso reforça a necessidade de uma abordagem ampla
sobre o tema”, frisou.
Loures observou que a doença atinge, com maior intensidade, a população mais pobre, marginalizada e com
dificuldade de acesso a educação, bens e preservativos.
“É nesse contexto que a aids vem se expandindo cada vez mais. Se
queremos garantir que o tratamento seja sustentável temos que resolver de forma
imediata todas as questões referentes à epidemia, inclusive o combate à fome”,
concluiu.
Mais de
dois terços (68%) de todas as pessoas infectadas pelo vírus
HIV no mundo vivem na África Subsaariana, que
reúne
os países situados ao Sul do deserto do
Saara.
Essa região também concentra o maior percentual mundial de mortes causadas pelo vírus HIV: 76%.
Atualmente, existem 22,5 milhões de pessoas vivendo com o
vírus no local. Este ano, foram registrados 1,7 milhão de novos casos na região.
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