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2 de Dezembro de 2007 - 09h31 - Última modificação em 2 de Dezembro de 2007 - 10h46


Pedido de revitalização de rios pernambucanos marca término dos jogos indígenas

Isabela Vieira
Enviada especial

 
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Valter Campanato/ABr
Olinda (PE) - Índios da etnia Terena abrem a festa de encerramento da nona edição dos Jogos dos Povos Indígenas
Olinda (PE) - Índios da etnia Terena abrem a festa de encerramento da nona edição dos Jogos dos Povos Indígenas
Recife - Os rios pernambucanos Capibaribe e Beberibe precisam de ajuda. A poluição e a deterioração das margens prejudicam todo o ecossistema que deles depende.

O pedido de revitalização das duas bacias marcou o encerramento da nona edição dos Jogos dos Povos Indígenas, na noite de ontem (1º).

Antonio Carlos Araomã, do povo Pankararu de Pernambuco, leu para o público uma carta elaborada pelos caciques.

“Declaramos que ouvimos a voz da água, da terra e dos céus. Os rios não podem ser o depósito do lixo da cidade. Não temos o direito de assim utilizar a natureza”, disse.

Após uma semana de competições, os jogos terminam sem recordes olímpicos e sem premiações individuais. Todos saem vitoriosos, com medalha no peito e troféu. A idéia é mostrar que o mais importante é a união.

Neste período, os índios destacaram a necessidade de garantir seus direitos, preservar o meio ambiente e valorizar a própria cultura. O líder Xavante Paulo Domingos Tsererãwe afirmou que é uma “alegria” participar do evento.

“Isso simboliza a nossa força. Deu para mostrar que, para os indígenas, cultura e espiritualidade andam juntas”, disse logo após a cerimônia Terena de Kipaé (a Dança da Ema), quando os índios apagaram o fogo sagrado, simbolizando o fim da competição. Participaram cerca de 900 representantes de 44 etnias.

Segundo Marcos Terena, dirigente do Comitê Intertribal – Memória e Ciência Indígena, grupo organizador do evento, o encontro entre as etnias e o povo da cidade é positivo porque os índios se sentem valorizados. “É um processo de resgate de auto-estima. Muitos [povos] nunca haviam sido aplaudidos. Outros perderam o referencial da cultura e tinham vergonha das origens”, ressaltou.

O professor de educação física de Brasília Leandro Casarin, que participou da organização dos jogos, disse que volta para casa com uma lição. “Vou ensinar aos meus alunos que o mais importante do esporte é celebrar a união, a igualdade e o respeito às diferenças. A competição serve apenas como estímulo.”

Os jogos indígenas são realizados a cada dois anos. A edição de 2007 teve apoio dos Ministérios da Educação, do Esporte e da Justiça. O próximo evento, em 2009, deve ser realizado no Acre.


 

 

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