



|
Brasília - O governo
brasileiro terá que propor alterações na
legislação caso o Supremo Tribunal Federal (STF) não
impeça, em 60 dias, a importação de pneus
usados. Este é o prazo que o Brasil tem para comunicar à
Organização Mundial do Comércio (OMC) como e quando
barrará, definitivamente, a entrada de
carcaças no país.
Embora
proibida desde 1991, a compra de pneus usados por reformadores
brasileiros vem sendo autorizada por meio de liminares. Até
2004, mais de 34 milhões de carcaças e reformadas
entraram desta forma no país. Apenas no ano passado, foram 7,6
milhões. Em 2005, 10,5 milhões.
A
prática, questionada pela União Européia junto
ao Órgão de Solução de Controvérsias
da OMC, foi condenada pelo órgão. O governo brasileiro
não questionou a decisão, agora confirmada pelo Órgão
de Apelação da OMC. “O Órgão de
Apelação confirma que estas importações
configuram uma discriminação incompatível com as
regras multilaterrais”, explicou o sub-secretário geral de
Assuntos Econômicos e Tecnológicos do Ministério
das Relações Exteriores, ministro Roberto Azevedo.
A implementação, porém,
não será simples. Na tentativa de impedir tais
importações, a Presidência da República e
a Advocacia-Geral da União entraram com ação no
Supremo alegando que a legislação
brasileira já proíbe este tipo de importação.
O governo aguarda uma decisão para tomar outras providências.
“Se
o Supremo disser que essas liminares foram concedidas de maneira
indevida, isso significa essencialmente que o problema está
resolvido. Se o Supremo chegar a conclusão de que as liminares
foram justificadas e, portanto, abrir o caminho para outras
liminares, os legisladores brasileiros e o Executivo terão que
tomar uma decisão se, por meio de legislação,
vamos mudar situação ou não”, disse Azevedo.
“Primeiro temos que ouvir o Supremo e esperamos que o faça
num prazo razoável de tempo que seja compatível com o
andamento do processo no contencioso na OMC”, disse.
|
|