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3 de Dezembro de 2007 - 23h45 - Última modificação em 3 de Dezembro de 2007 - 23h45


Caso de adolescente do Pará presa em cela masculina parece "coisa de ficção", diz Lula

Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil

 
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José Cruz/ABr
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa na abertura da 7ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa na abertura da 7ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente
Brasília - Sem esconder sua indignação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente o delegado-geral da Polícia Civil do Pará, Raimundo Benassuly, que permitiu que uma adolescente de 15 anos ficasse presa em uma cela com 20 homens, na cidade de Abaetetuba.

"Se ele fosse bem formado e se o banco de escolaridade valesse na formação do caráter das pessoas, ele teria pego aquela mulher, dado a cadeira dele e ter ficado em pé, porque ele estaria fazendo aquilo que uma pessoa de bem faria nesse país”.

A declaração foi feita na abertura hoje (3) da 7ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.

“O que aconteceu no Pará é abominável, não é possível a gente contar, porque parece uma coisa de ficção”, frisou, na primeira vez em que comentou o caso.

Na na última sexta-feira (30), o Conselho Nacional de Justiça abriu um procedimento administrativo para apurar uma eventual omissão da Justiça do Pará diante do caso.

O delegado deixou o cargo no último dia 28 por ter afirmado, em audiência no Senado, que a jovem sofreria de deficiência mental por não ter informado que era menor de idade enquanto estava detida.

“Não importa aí se é menor ou se é maior. Se fosse uma senhora de 70 anos, ainda assim ela não poderia estar na mesma cela que os homens”, comentou Lula.

A conferência termina na quinta-feira (6), em Brasília. Cerca de 1,5 mil delegados de todo o país definirão estratégias para a implementação de políticas nas áreas de medidas socioeducativas e de convivência familiar.

O encontro ocorre a cada dois anos desde 1991 e faz parte da agenda social de promoção e defesa dos direitos da infância e adolescência no Brasil.




 


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