Sem esconder sua
indignação, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva criticou duramente o delegado-geral da Polícia Civil do
Pará, Raimundo Benassuly, que permitiu que uma adolescente de
15 anos ficasse presa em uma cela com 20 homens, na cidade de Abaetetuba.
"Se ele fosse bem formado e se o banco de
escolaridade valesse na formação do caráter das
pessoas, ele teria pego aquela mulher, dado a cadeira dele e ter
ficado em pé, porque ele estaria fazendo aquilo que uma pessoa
de bem faria nesse país”.
A declaração foi feita na abertura hoje (3) da 7ª
Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do
Adolescente.
“O que
aconteceu no Pará é abominável, não é
possível a gente contar, porque parece uma coisa de ficção”,
frisou, na primeira vez em que comentou o caso.
Na na última
sexta-feira (30), o Conselho Nacional de Justiça abriu
um procedimento administrativo para apurar uma eventual omissão
da Justiça do Pará diante do caso.
O delegado deixou o
cargo no último dia 28 por ter afirmado, em audiência no
Senado, que a jovem sofreria de deficiência mental por não
ter informado que era menor de idade enquanto estava detida.
“Não
importa aí se é menor ou se é maior. Se fosse
uma senhora de 70 anos, ainda assim ela não poderia estar na
mesma cela que os homens”, comentou Lula.
A conferência termina na quinta-feira (6), em Brasília. Cerca de 1,5 mil delegados de todo o país definirão estratégias para a implementação de políticas nas áreas de medidas socioeducativas e de convivência familiar.
O encontro ocorre a cada dois anos desde 1991 e faz parte da agenda social de promoção e defesa dos direitos da infância e adolescência no Brasil.