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Brasília - Um dos grandes desafios da TV Brasil é produzir programas de qualidade, inteligentes e que gerem reflexão. A avaliação sobre a nova TV pública, que entrou no ar ontem (2), é do jornalista Jonas Valente, integrante da organização Intervozes.
Para ele, o ponto mais importante da TV pública é permitir que o cidadão participe da programação oferecida. "A TV só é
pública se é feita com, para e pelo público". Valente também acredita que a programação deve disputar
audiência com as emissoras comerciais. "Não queremos
que a TV pública fique no gueto, algo marginal, com apenas traços
de audiência", defendeu, em entrevista à Rádio Nacional.
O diretor da Associação Brasileira de Televisão
Universitária, José Paschoal
Neto, disse que essa é a oportunidade de se
criar uma interatividade com o público. Segundo ele, o
principal nível dessa interatividade acontece quando o usuário
é capaz de gerar conteúdo e vê-lo publicado. "É
preciso olhar a televisão como um instrumento de inclusão
do indivíduo na sociedade", afirmou.
Para essa integração
entre TV e usuário ser alcança, Paschoal Neto disse que
não pode deixar de haver uma programação local dentro da nova emissora. "A questão da regionalização
é um dos itens obrigatórios de uma TV que pretende ser
uma vitrine para olhares da sociedade". Ele disse que até
aqui foi um longo caminho e que, agora, a TV pública deve ser
fortalecida. "Ela é um
espaço importantíssimo no processo de democratização
da comunicação e da informação", afirmou, também à Rádio Nacional. Os
erros de percurso, segundo ele, são possíveis de ser
verificados e serão corrigidos.
O canal permanente de
interação e de relacionamento com o público deve
ser criado pelo conselho curador da Empresa
Brasil de Comunicação (EBC). Foi o que disse o
economista Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos 15 representantes da
sociedade civil que vão integrar o conselho. "É
preciso que os conselheiros se dêem conta de que o conselho é
um interlocutor, uma espécie de correia de transmissão
entre o público e os profissionais que cuidam da programação
da TV pública", afirmou ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.
Belluzzo
disse que a primeira reunião do conselho ainda não foi
agendada, mas espera que nela já sejam definidos os
instrumentos de relacionamento com a sociedade. O importante, segundo
ele, é chegar a um entendimento de que instrumentos técnicos
e tecnológicos serão estabelecidos com o público,
para que haja um atendimento adequado e sem interrupções.
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