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Brasília - O cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, especialista
independente da Organização das Nações
Unidas (ONU), afirmou hoje (4) que o Brasil é respeitado no exterior não
por ter resolvido todos os seus problemas referentes a direitos humanos, mas porque
não nega que os tem.
A declaração foi feita durante o lançamento da versão
em português do Estudo das Nações Unidas sobre a
Violência contra a Criança. O
documento foi feito em quatro anos por cerca de 1,5 mil pesquisadores
em todo o mundo.
Segundo Pinheiro, para a elaboração do estudo, foram realizadas consultas no Brasil com acadêmicos, representantes da sociedade civil, agências
da ONU, além de crianças e adolescentes.
Ele acrescentou que o relatório analisou casos de
violência contra a criança em cinco contextos: em casa,
na escola, em instituições, no lugar de trabalho e na
comunidade. “Tratei de todo e qualquer tipo de violência,
desde a palmada até a violência psicológica”.
De acordo com o cientista político, o Brasil é citado no relatório por
apresentar boas práticas de combate à violência
contra a criança, embora ainda precise avançar na
elaboração de políticas sociais voltadas para o público
infanto-juvenil.
"O
Brasil tem uma situação excepcional porque tem
problemas bastante graves, mas tem uma legislação muito
boa, que é o Estatuto da Criança e do Adolescente. Tem
um governo dedicado a essa agenda-criança”.
Dentre
as 12 recomendações levantadas pelo
estudo da ONU, está a necessidade de melhorar a qualidade da
informação e de investir na prevenção da
violência.
Uma das
sugestões reforçadas por
Pinheiro consiste em investir na participação
das próprias crianças e adolescentes no processo de elaboração
de políticas sociais. “O Congresso Nacional devia ouvi-los quando está discutindo projetos de lei”.
A implementação de princípios
estabelecidos na Convenção sobre os Direitos da Criança e em
outras convenções internacionais também tem
grande destaque no levantamento.
Na avaliação de Pinheiro, uma característica decisiva na luta
contra a violência infantil é uma sociedade civil ativa. Pinheiro elogia, no país, a estrutura do Conselho Nacional
dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). “É
uma coisa rara no mundo, com total autonomia do governo em termos da
indicação dos delegados”.
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