4 de Dezembro de 2007 - 16h04 -
Última modificação
em 4 de Dezembro de 2007 - 16h25
Renan Calheiros renuncia à Presidência do Senado
Priscilla Mazenotti e Marcos Chagas Repórteres da Agência Brasil
Brasília - O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) acaba de
renunciar ao cargo de presidente do Senado Federal. Em discurso, lido
da tribuna do plenário, Renan disse que não pediu a renúncia no início
da crise porque “poderia sugerir naquele momento uma aceitação das
infâmias e das inverdades contra mim”.
“Não medi esforços para estar à altura do prestígio do cargo”, disse Renan. “Entendo que quando as circunstâncias políticas
perdem densidade, é aconselhável deixar o cargo. Assim, renuncio ao
mandato de presidente do Senado Federal sem mágoas ou ressentimentos,
de cabeça erguida, demonstrando mais uma vez que não usei das
prerrogativas do cargo para me defender."
A renúncia de Renan Calheiros foi anunciada hoje (4) durante
sessão de discussão e votação de relatório do Conselho de Ética que
recomenda a perda de mandato por quebra de decoro parlamentar. Ele é acusado de ter usado laranjas para a compra de
veículos de comunicação em Alagoas.
Renan Calheiros estava afastado da presidência da
Casa desde outubro, quando pediu licença por 45 dias e depois por mais
30. O mandato de presidente, que começou em fevereiro deste ano,
terminaria em 2010.
Pelo regimento do Senado, o presidente interino da
Casa, Tião Viana (PT-AC), terá cinco dias para convocar novas eleições.
Por ser o maior partido, a vaga continua com o PMDB.
Renan foi reeleito para o cargo ao vencer
o líder do DEM, José Agripino (RN), por 51 votos a 28. Em maio,
enfrentou a primeira de uma série de denúncias por quebra de decoro
parlamentar. Foi acusado de ter recebido dinheiro do funcionário de uma
empreiteira para pagar contas pessoais. Esse processo chegou ao
plenário em setembro. Na época, os senadores absolveram Renan da
acusação por 40 votos a 35.
Renan Calheiros também foi absolvido, ainda no
Conselho de Ética, da acusação de ter beneficiado uma cervejaria no INSS depois que a empresa teria comprado uma fábrica de seu irmão
por um preço acima do de mercado.
Outras duas representações contra Renan aguardam escolha de relator no Conselho de Ética: a que investiga se
ele teria participação em esquema de corrupção em ministérios
comandados pelo PMDB e a que apura suposto envolvimento em esquema de
espionagem de inimigos políticos.
A sexta representação contra Renan Calheiros – que
investiga se ele teria apresentado emendas ao Orçamento da União para
favorecer empresas “fantasmas” – ainda não foi enviada ao Conselho de
Ética. Está na Mesa Diretora da Casa aguardando o andamento dos
outros processos.
Ouça aqui o discurso de renúncia:
Matéria alterada para acréscimo de informação às 16h09