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4 de Dezembro de 2007 - 15h31 -
Última modificação
em 6 de Dezembro de 2007 - 15h02
Desmatamento e mercado de carbono serão discutidos em grupos específicos em Bali
Luana Lourenço
Enviada especial
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Bali (Indonésia) - As negociações
formais entre os países que estão na 13ª
Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13) avançaram
hoje (4) nas reuniões dos dois grupos subsidiários da
convenção, dos quais um trata de implementação
e outro, de assessoria técnica e científica. Os
negociadores aprovaram a criação de grupos de contato
para discutir as principais questões levantadas pelos países
durante as apresentações, entre elas as emissões
de carbono por desmatamento e transporte e o fortalecimento de
mecanismos de adaptação às mudanças
climáticas já existentes.
Esses grupos, que a
partir de amanhã se reunirão a portas fechadas,
adiantarão as discussões e tentarão chegar a
acordos sobre os temas que serão negociados pelos ministros de
Estado na próxima semana. A secretária de Mudanças
Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug,
e o secretário executivo da Comissão Interministerial
de Mudança Global do Clima, José Domingos Miguez,
adiantaram que deverão participar de discussões
específicas sobre reduções de emissões
por desmatamento e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL),
respectivamente.
Em um evento paralelo à agenda oficial
da COP, a organização não governamental (ONG)
Greenpeace lançou uma proposta de mecanismo híbrido
para compensar financeiramente a redução do
desmatamento e diminuir as emissões de gases de efeito estufa
por meio da conservação das florestas tropicais no
âmbito do Protocolo de Quioto.
A idéia é
unir soluções de mercado e ações de
governança para reduzir as emissões, proteger a
biodiversidade e defender as populações tradicionais
das florestas. O dinheiro viria de um fundo internacional regulado
por mecanismos de mercado, e os países em desenvolvimento
interessados nos recursos deveriam comprometer-se com metas de
redução de desmatamento. "O fundo precisaria de 14
bilhões de euros [cerca de R$ 37 bilhões] em
cinco anos e seria acompanhado de um sistema de governança
consistente", afirmou Paulo Adário, coordenador da
Campanha Amazônia da ONG.
Diferentemente da proposta
brasileira, a do Greenpeace é baseda em soluções
de mercado, e funcionaria como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo
(MDL), que possibilita o comércio de redução de
emissões entre países desenvolvidos que têm metas
a cumprir e nações em desenvolvimento.
A
proposta deverá ser levada ao grupo de contato formado para
debater a questão das emissões por desmatamento. De
acordo com Adário, a idéia também foi
apresentada ao governo brasileiro hoje. Mais cedo, a secretária
Thelma Krug voltou a afirmar que o Brasil não pretende fazer
concessões sobre a utilização de mecanismos de
mercado para compensar redução de desmatamento.
A
coordenação da delegação brasileira em
Bali deverá organizar um evento paralelo em que a ministra do
Meio Ambiente, Marina Silva, apresentará os números e
os resultados das políticas brasileiras pela redução
do desmatamento nos últimos anos. A chegada da ministra está
prevista para terça-feira (11).
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