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Brasília - O diretor-geral do
Hospital do Coração (HCor) e
idealizador da hoje Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF), Adib Jatene,
defendeu hoje (5) na Comissão de Direitos Humanos e Legislação
Participativa do Senado a manutenção do imposto.
Aos senadores, ele
afirmou que a prorrogação do tributo é
imprescindível para o sistema de saúde no Brasil.
“Essa contribuição
somente se tornará desnecessária quando for aprovada
uma reforma tributária que seja compatível com as
riquezas produzidas no país. Quando propus a CPMF, como
provisória, é porque garantiram que ia haver uma
reforma tributária que tornaria esse tributo desnecessário.
Como ela [reforma tributária] até hoje não
veio, não podemos abrir mão dela [CPMF]”,
afirmou.
Adib Jatene disse que o
sistema tributário brasileiro se baseia na declaração,
taxando principalmente produtos, bens e serviços.
“Dessa maneira, que
não é o produtor quem paga, ele embute tudo no produto.
Quem paga é o consumidor final. A arrecadação do
governo não corresponde à riqueza da nação.
Temos que taxar herança, riqueza, patrimônio e renda.
Por isso a reforma tributária não passa”, afirmou.
Ele lembrou que o
brasileiro já passou por uma experiência desastrosa
quando a Previdência Social não repassou recursos para a
saúde.
“Se tivermos agora
uma nova retirada de recursos sem garantia de reposição,
nós vamos regredir 15 anos”.
Jatene admitiu que a
saúde brasileira enfrenta vários problemas, mas
ressaltou que se comparada ao que era em um passado próximo “a
melhora foi extraordinária”.
De acordo com a
avaliação de Jatene, quase todas as cirurgias cardíacas
feitas no país são pagas pelo sistema público de
saúde, assim como quase todos os transplantes de órgãos.
“Temos ainda o melhor
programa de combate a aids do mundo, eliminamos várias doenças
antes que muitos países mais avançados. De maneira que
nós temos feito muito, só que temos ainda muito que
fazer, porque aumentamos a população em 900% em 50
anos”, afirmou.
Jatene observou que o
Brasil é um país que se urbanizou muito depressa e com
imensas demandas. “As fontes de recursos do governo não são
suficientes para cobrir todas as suas necessidades”, disse.
A fundadora da Pastoral
da Criança, Zilda Arns, divulgou um manifesto na comissão
a favor da contribuição. De acordo com o documento, os
recursos da CPMF são “necessários para superar os
problemas gravíssimos de saúde de nosso país”.
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