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Brasília - Uma carta
chamando a atenção para os problemas que podem ser
causados à sociedade se o Estatuto do Desarmamento for
modificado pela Câmara dos Deputados será entregue aos
deputados federais nos próximos dias.
O
documento contesta algumas emendas contidas no relatório final
da Medida Provisória (MP) 394/2007, como a dispensa de testes psicológicos para
renovação de registros no caso de alguns tipos de
armas, a permissão de transporte de armas em vias públicas
e a autorização para que jovens de 18 anos possam
comprar armas, se forem membros de clubes de tiros.
A carta é
assinada pela Rede Desarma Brasil, que reúne entidades
dedicadas à redução da violência no país,
além da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB), do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conic),
Conselho Nacional de Juventude, da Comissão Brasileira de Justiça
e Paz e Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara
dos Deputados. Uma audiência com o presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), também deve ser agendada para
entregar em mãos o documento.
O
deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da subcomissão
de Armas e Munições da Câmara, explicou que o
primeiro passo será pedir a preferência pela votação da MP original enviada pelo governo ao Congresso Nacional. Nesta
proposta, são alterados apenas o prazo para o registro de
armas e o custo para fazer o registro.
“Se nós
perdermos a preferência, estarão abertas as portas do
inferno”, afirma Jungmann, lembrando que, neste caso, cada emenda
terá que ser trabalhada separadamente. Para ele, o relatório
é uma tentativa de desfigurar uma política pública
que está dando certo e poupando vidas.
Jungmann
também critica a escolha do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS)
para relator da proposta. Segundo ele, o parlamentar gaúcho
utilizou uma estratégia “competente para o mal”, ao
incorporar emendas de vários segmentos da Câmara.
O
secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, lembrou que
o tema da Campanha da Fraternidade de 2009 será a segurança
pública. Ele também destacou o perigo da permissão
do porte de armas para quem não tem preparo. “Uma coisa é
você saber disparar uma arma, outra é ter o porte de
armas e enfrentar uma situação de emergência em
que tem não apenas um alvo na sua frente, mas uma pessoa”.
O Estatuto do
Desarmamento foi aprovado em 2003. Em setembro deste ano, o governo
federal apresentou uma proposta ao Congresso Nacional para alterar o estatuto, prorrogando até 2 de julho de 2008 o prazo para o
registro de armas e estabelecendo novos valores para as taxas de registro e
renovação de armas.
Depois disso, foram
apresentadas 123 emendas à MP do governo, propondo diversas
outras mudanças no estatuto. No relatório do deputado
Pompeo de Mattos, foram incluídas 24 emendas ao texto
original.
Para o deputado Pompeo
de Mattos, é preciso diferenciar as mais de 100 emendas que
foram apresentadas ao relatório concluído por ele, que
será votado em plenário. “Tinha emenda para tudo que
era gosto”, afirma. Ele garante que seu objetivo é apenas
facilitar o registro das armas. “Não estamos dando arma a
ninguém, não estamos facilitando a ninguém o
acesso a armas. O que estamos fazendo é regulamentando no
sentido de facilitar o registro de armas”, diz o relator.
Para o parlamentar, as
alterações devem colocar o Estatuto do Desarmamento
para funcionar. Segundo ele, as armas recadastradas até agora
pertencem a empresas, como de transportes de valores e vigilância.
“O cidadão comum, o homem de bem que tem uma arma não
fez o recadastramento porque não se submeteu aos exageros das
exigências para que houvesse o recadastramento”, conclui.
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