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São Paulo -
As medidas para regulação da cobrança de tarifas bancárias
anunciadas hoje (6) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) foram recebidas com
cautela por associações de defesa do consumidor. Embora as íntegras das
resoluções que vão impor as novas regras para tarifação dos serviços das
instituições financeiras não tenham sido divulgadas, representantes das entidades
disseram que, de acordo com o informado pelo Banco Central (BC) e o Ministério
da Fazenda, os benefícios aos clientes serão limitados.
Maria Elisa Novais, advogada do Instituto Brasileiro de
Defesa do Consumidor (Idec), observou que grande parte dos serviços considerados
essenciais pelo CMN, e que portanto não poderão ser tarifados, já são gratuitos,
conforme estabelecem regras antigas do BC.
“Cartão magnético para movimentação
de conta bancária, por exemplo, é gratuito. Pelo o que tivemos acesso, a nova regra não muda
nada”, disse.
Novais também disse que a norma que vai vedar a cobrança
da Tarifa de Liquidação Antecipada (TLA) é pior que a esperada, pois terá validade somente sobre os contratos firmados a partir da data em que a resolução entrar em
vigor. “O Código de Defesa do Consumidor já prevê que o consumidor tem a
prerrogativa de quitar antecipadamente seus débitos, com abatimento
proporcional nos juros. A regra deveria valer para todos os contratos”, defendeu.
Para a advogada, das medidas anunciadas, a que trará mais
benefícios é a padronização das nomenclaturas das tarifas. Novais
disse que a norma deve tornar mais fácil o acompanhamento dos gastos do
consumidor e aumentar a transparência das cobranças. Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Associação
Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), também considerou a
padronização positiva. Para ela a medida mais importante foi a
criação do Custo Efetivo Total (CET), um tipo de taxa que englobará juros, Taxa
para Abertura de Crédito (TAC), seguros e outras, tudo em um percentual único
anual. “Batalhamos por isso há mais de um ano. A medida vai tornar mais claro qual é o gasto do consumidor ao pegar um empréstimo”, disse.
Apesar de concordar com algumas mudanças, Dolci não
deixou de tecer críticas à totalidade das medidas. “O governo perdeu uma
oportunidade única para resolver problemas antigos, como o da TLA [Tarifa de Liquidação Antecipada]. Vamos
continuar trabalhando para que pontos que ficaram em aberto sejam resolvidos”, afirmou.
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