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Brasília - A organização não-governamental (ONG) Amigos da Terra - Amazônia Brasileira
tenta, na Justiça, suspender o leilão da Usina
Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia,
marcado para o dia 10 deste mês. A ONG questiona a licença
prévia (LP) concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em julho deste ano. Também
alega que, desde a concessão da licença, houve uma
explosão de desmatamento na área de influência da
obra.
Para impedir a
realização do leilão, a Amigos da Terra entrou
ontem (5) com ação civil pública na
Justiça Federal do Distrito Federal. “O Ibama , junto com os
empreendedores, tem que fazer os estudos de impacto de ambiental
como manda a lei, com a área de real impacto do
empreendimento”, diz Gustavo Pimentel, gerente da Amigos da Terra - Amazônia Brasileira.
A ONG alega
que parecer técnico emitido pelo Ibama em março deste
ano recomendava a não-emissão da licença prévia,
em razão de falhas nos estudos de impacto ambiental (EIA/Rima)
realizados pelo consórcio Furnas/Odebrecht. “A equipe
técnica concluiu não ser possível atestar a
viabilidade ambiental dos aproveitamentos Hidrelétricos Santo
Antônio e Jirau, sendo imperiosa a realização de
novo estudo de impacto ambiental, mais abrangente, tanto em
território nacional como em territórios
transfonteiriços, incluindo a realização de
novas audiências públicas”, dizia o parecer assinado
por oito técnicos.
Depois disso, segundo
Pimentel, foram feitas sessões de perguntas e respostas com os
empreendedores e, a partir daí, alguns estudos foram
complementados. “Nada foi refeito e nenhum estudo foi adequadamente
complementado. Apesar disso, a licença foi concedida em 9 de
julho deste ano”, denuncia. Segundo ele, cinco dias antes o atual
diretor de Licenciamento do Ibama, Messias Franco, emitiu parecer
reconhecendo que nem todos os questionamentos foram respondidos.
Ainda assim, a licença
prévia foi concedida. O parecer de Franco só veio a
público meses depois. “A despeito de vários requerimentos
que fizemos, o parecer só foi colocado no site do Ibama em
novembro, na época em que o edital estava saindo. Isso
reduziu, e muito, o tempo hábil que a sociedade teria para
questionar essas questões”, afirma Gustavo Pimentel.
A Amigos da Terra –
Amazônia Brasileira também denuncia os impactos da
licença prévia. Segundo Pimentel,
dados oficiais do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revelam aumento de
até 600% no desmatamento na bacia do Rio Madeira, em Rondônia
- principalmente nos municípios que não foram objeto
dos estudos ambientais - após a concessão da licença prévia.
De acordo com Pimentel, o mesmo sistema apontava tendência de queda no
desmatamento em relação a 2006. Em julho, os índices
já empataram com os do ano anterior. Em agosto, o aumento no
desmatamento foi de 100% na comparação com agosto de
2006. O índice chegou a 600% em setembro deste ano. “Essa
explosão de desmatamento é um impacto que não
foi previsto, até porque o estudo de impacto ambiental
considerou uma área de influência muito pequena”,
pondera, frisando que o desmatamento está ocorrendo justamente
na área de influência indireta dos empreendimentos.
Pimentel ressalta que o
desmatamento revela uma grande especulação na área
onde serão construídas as usinas de Santo Antônio
e Jirau. “Isso se dá tanto no setor imobiliário de
Porto Velho, onde o preço dos aluguéis está indo às
alturas, quanto na área florestal, onde os grileiros estão
acelerando suas ações e todo mundoestá indo
cortar madeira para depois fornecer para o consórcio”,
denuncia. “Isso é algo irreversível e precisamos
travar de alguma forma”, afirma.
Procurados pela Agência
Brasil, a Advocacia-Geral da União (AGU), a Agência Nacional
de Energia Elétrica (Aneel, promotora do leilão) e o
Ibama informaram que ainda não foram citados e, por isso, não
conhecem os detalhes da ação movida pela ONG. Ainda
assim, o Ibama reafirma, por meio de sua assessoria, que a licença
prévia concedida pelo órgão é válida
e foi concedida após “profunda análise” de todos os
docuemntos, críticas e observações internas e
externas. O processo de
licenciamento também está sendo questionado pelo
Ministério Público Federal em Rondônia. Em ação
ajuizada m março deste ano, o MPF questiona a retirada das
linhas de transmissão do processo de licenciamento das usinas
do Rio Madeira. O Ministério Público entende que s
linhas de transmissão são parte essencial do
empreendimento e deveriam ser licenciadas com as usinas.
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