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16 de Dezembro de 2007 - 10h16 - Última modificação em 16 de Dezembro de 2007 - 10h16


Segundo professora, faltam vagas para as crianças nas escolas de Abaetetuba

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - A cidade de Abaetetuba (PA), onde uma jovem de 15 anos ficou presa numa cela com 20 homens por três semanas, enfrenta problemas para garantir acesso à educação nas mais de 100 escolas públicas do município. A principal dificuldade, segundo a presidente do Sindicato dos Professores do município, Valdira Calado Dias, é a falta de vagas para alunos das primeiras séries do ensino fundamental.

A presidente do Sindicato dos Professores do município, Valdira Calado Dias, disse que não é possível estimar o déficit de vagas para essas séries. Mas, às vésperas do período de matrícula, afirmou que o problema preocupa. Para dar agilidade ao processo, a prefeitura informatizou a matrícula, o que, segundo Valdira, agravou ainda mais o problema.

“Muitos pais estão desesperados. Antes, alguns chegavam até mesmo a dormir na porta da escola para garantir uma vaga para seus filhos. Agora, as matrículas serão feitas pela internet e eles não sabem como vão fazer, já que a maioria é simples e não tem acesso a esse meio”, critica.

Segundo a professora, uma das origens da falta de vagas para as primeiras séries do ensino fundamental está no fato de o município emprestar escolas municipais, com ensino até a 4ª série, para o governo estadual oferecer ensino de 5ª à 8ª séries. A estratégia, diz ela, só ameniza a situação em alguns bairros e não resolve o déficit de vagas.

“A construção de escolas de 5ª à 8ª séries é responsabilidade do governo estadual. É isso que precisa acontecer”, reclama Valdira. “Em alguns bairros, os conselhos [formados pela direção das escolas, pais e professores] autorizaram a transferência. Em outros, os pais não sabem como vão fazer para deixar os filhos em escolas diferentes ou, simplesmente, matriculá-los.”

O Secretario de Educação de Abaetetuba, Adelino Ferranti, informa que todas as crianças do município estão na escola. Ele, porém, reconhece que há necessidade de construir novas unidades de ensino e admite que as existentes estão superlotadas. “Existem 45 crianças em classes construídas para 30”, ressalta. Segundo ele, o problema é discutido com representantes do governo estadual.

De acordo com Ferranti, a participação da comunidade nas mais de 100 escolas públicas do município, assim como a qualificação de professores, ajuda a melhorar o ensino na cidade. Cerca de 70% dos profissionais, segundo o secretário, têm nível superior.



 


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