A violência cometida contra a adolescente presa em
uma cela masculina em Abaetetuba (PA) traz à tona uma série de violações a
direitos da infância e adolescência na região. É o que alerta o representante
da Pastoral do Menor da Diocese da cidade, André Franzini.
Segundo ele, há 12 anos, a Pastoral foi criada para tentar
combater a exploração sexual de crianças e adolescentes. No terreno da entidade,
são oferecidas oficinas, esportivas, culturais e de informática.
A ação, no
entanto, não é suficiente para enfrentar o abandono em que vivem parte das
meninas e meninos da região. No cais de Abaetetuba, crianças e adolescentes são vítimas
de exploração sexual. Os programas, realizados muitas vezes a luz do dia,
embaixo da estrutura do cais, custam a partir de R$ 5.
"Nós temos uma deficiência em
termos educacionais aqui enorme. O índice de evasão escolar chega a 50%. Este
ano, faltaram mais de 2 mil vagas para estudantes de 4ª e 5ª séries. Os
adolescentes ficam fora da escola e acabam nas esquinas”, lamenta o
representante da Pastoral do Menor.
“Essa ociosidade está ligada à
falta de opção. O tráfico de drogas e a exploração sexual acabam ocupando
espaço do Estado. A cidade cresceu nos últimos anos, mas não houve
acompanhamento de políticas públicas. Mais da metade dos bairros não tem água
encanada, posto de saúde, iluminação.”
Para André Franzini, a solução
passa por investimento em políticas públicas, geração de emprego e renda, além de incentivo à
atuação dos conselhos sociais. “Precisamos levantar a auto-estima do cidadão.
Impedir que essa banalização da violência contra crianças e adolescentes
continue. Permitir que as pessoas tenham outras maneiras de viver.”