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Recife - Durante todo o dia de hoje (6), a organização não-governamental (ONG) Instituto Papai realiza ato público no Mercado de São José, no centro da cidade, para marcar o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A
ação faz parte
da Campanha do Laço Branco, realizada
há oito anos em várias cidades brasileiras, com o objetivo de sensibilizar, envolver e mobilizar os homens na luta pelo fim da violência contra a mulher.
Os
freqüentadores e os comerciantes do mercado público estão recebendo
orientações, fitas brancas e panfletos educativos sobre a Lei Maria da Penha, que pune com mais rigor os que praticam
agressões físicas, psicológicas, sexuais ou morais contra as mulheres.
Segundo o coordenador
do Instituto Papai, Benedito Medrado, é preciso realizar
campanhas informativas para que, além de assumirem o compromisso de não
agredir as mulheres, os homens denunciem os casos de violência. Ele destacou a necessidade de se descontruir a cultura machista
que faz com que os homens se coloquem na posição de dominadores.
Medrado disse que os homens,
principalmente os nordestinos, aprendem desde cedo a usar a agressão como meio de expressar a
masculinidade. "O conceito de homem está associado à idéia de ser forte, duro e violento", afirmou Medrado, ressaltando que mais da metade dos assassinatos de mulheres é praticada por pessoas com quem as vítimas mantiveram relações de
afetividade. Para ele, a justificativa de que o ciúme resulta no comportamento agressivo deve
ser combatida com a divulgação de mensagens.
O coordenador do Instituto Papai explicou que o mercado foi escolhido pela
segunda vez para a mobilização por ser um local de grande circulação de homens jovens e de baixa
renda, que, em sua maioria, acreditam que a violência deve fazer parte do
cotidiano masculino. O vendedor ambulante Samuel José da Silva, que recebeu o material da
campanha, entretanto, disse que as mulheres devem ser respeitadas e amadas, ao invés de
agredidas. Fundado em 1997, o
Instituto Papai, que tem sede em Recife, desenvolve atividades de pesquisa, formação e ação
política com homens nos campos da saúde, sexualidade e reprodução, a partir da perspectiva feminista e de gênero.
Inicialmente, o Papai tinha como foco a paternidade na
adolescência, mas hoje desenvolve ações em três áreas temáticas: violência
de gênero, paternidade e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e aids.
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