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Brasília - A capital
federal foi tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade há 20 anos. Em 7 de dezembro de 1987 a Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) reconheceu e validou a decisão de tornar Brasília patrimônio histórico, hipótese que, à época, o então governador do Distrito Federal José
Aparecido de Oliveira e os próprios habitantes da cidade apenas cogitavam. Foi a primeira vez, em toda a história da
humanidade, que o órgão aprovou o tombamento de uma
cidade no mesmo século em que foi criada. Para o
secretário de Cultura do Distrito Federal, Silvestre Gorgulho,
o tombamento ajudou a preservar a memória
de Brasília. “Nos ensina que se você não cuidar
da sua memória, dos seus bens,
ninguém vai cuidar. Não é uma tarefa apenas de
governo. É uma tarefa da sociedade.”
Vincent Defourny, representante da Unesco no Brasil, acredita que o
reconhecimento internacional é importante, em especial, para
quem mora em Brasília. “O tombamento é
realmente uma forma de dizer que você está vivendo em um
lugar excepcional. E que tem que cuidar, para transformá-lo em
uma cidade de qualidade e para o desenvolvimento sustentável”.
Para Patrícia Herzog, moradora de Brasília, a
comemoração é necessária porque poucas
pessoas sabem do tombamento. Ela garante que é preciso lembrar
e reforçar a idéia da capital federal como Patrimônio
Cultural da Humanidade, inclusive para o conhecimento e a preservação
dos monumentos por parte da própria população
que reside na capital.
“Me sinto altamente privilegiada. Não só por morar
nessa cidade que é Patrimônio Cultural da Humanidade,
mas por fazer parte dessa história.”
Durante a solenidade que relembrou os 20 anos de tombamento da cidade, o
vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio, afirmou que
a cidade custou caro para o país. Segundo ele, foram
três anos de luta e sacrifício, além das milhares
de pessoas que vieram de todos os estados brasileiros para ajudar na
construção.
Paulo
Octávio admitiu, entretanto, que, 20 anos após o
tombamento, a cidade apresenta dificuldades. Ele garante que problemas como a grande quantidade de camelôs no centro da
capital federal, a infra-estrutura deficiente da Rodoviária de Brasília, além
das constantes invasões de terra, já estão sendo
reparados.
O governador do DF, José Roberto Arruda, destacou ainda o título
de Capital Cultural da América, concedido à Brasília
hoje (7) durante a cerimônia de comemoração.
Arruda também admitiu falhas governamentais durante os 20 anos
de tombamento, mas acredita ser esse o momento para que a cidade
volte à legalidade. Para ele, é preciso “cumprir as leis, rigidamente, para que
Brasília continue preservada no seu projeto original e na sua
qualidade de vida”.
Para o governador, lembrar os 20 anos do tombamento é assumir
novas responsabilidades com o futuro da capital. “Fazer com que a
cidade seja preservada, não permitir o uso indisciplinado o
solo, cuidar de Brasília como a gente cuida dos filhos da
gente”. A
cerimônia de comemoração dos 20 anos do
tombamento de Brasília como Patrimônio Cultural da
Humanidade foi promovida pela Unesco, em parceria com o Governo do
Distrito Federal (GDF) no Museu Nacional do Conjunto Cultural da
República, em Brasília.
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