Representantes do
Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas
(IPCC, na sigla em inglês), entre eles o presidente do grupo,
Rajendra Pachauri, fizeram hoje (7) uma apresentação do
relatório-síntese do painel direcionada aos negociadores
internacionais durante a 13ª Conferência das Partes sobre o
Clima (COP-13).
Os representantes do
IPCC costumam ressaltar que não fazem recomendações
políticas, mas na sessão para apresentar o relatório
às delegações na reunião da ONU Pachauri foi enfático: “temos bases científicas suficientes
para clamar por ações mundiais”.
A versão síntese
do relatório foi
apresentada em Valencia (Espanha) em novembro. O texto afirma que
o aquecimento global é inequívoco, traça
cenários de elevação da temperatura na Terra e
as possíveis conseqüências – aumento do nível
do mar e savanização da Amazônia, por exemplo –
e aponta estratégias de adaptação e mitigação.
Desde abertura da COP,
na última segunda-feira (3), o trabalho do IPCC vem sendo
elogiado por varias delegações e citado ao longo das
reuniões plenárias e grupos de trabalho como a base
científica para orientar ações de mitigação
e até mudanças no Protocolo de Quioto.
Para o pesquisador José
Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Epaciais (Inpe), membro
do IPCC, o trabalho do painel deverá influenciar a tomada de
decisões na COP. "A própria decisão da
Austrália de ratificar o Protocolo de Quioto foi baseada nos
relatórios", avaliou.
"Vamos esperar
para ver se nessa segunda semana as negociações
continuam nesse bom caminho, porque vai ser uma parte muito política,
e geralmente a parte política ignora a científica",
acrescentou.
Ontem (6), Marengo e
outros 200 pesquisadores lançaram na COP um documento
intitulado “Declaração
de Bali sobre o Clima por Cientistas” para cobrar o
estabelecimento de políticas públicas em relação
ao aquecimento global.
Ganhador do Prêmio
Nobel da Paz de 2007, junto com o ex-vice presidente norte-americano
Al Gore, o IPCC receberá a premiação na segunda-feira (10) em
Oslo (Noruega).