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9 de Dezembro de 2007 - 16h09 - Última modificação em 10 de Dezembro de 2007 - 01h09


Local do discurso de posse de Cristina Kirchner só atrai turistas

Carolina Pimentel
Enviada especial

 
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Antônio Cruz/Abr
Buenos Aires (Argentina) - Preparativos para a posse da presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner
Buenos Aires (Argentina) - Preparativos para a posse da presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner
Buenos Aires (Argentina) - Na Praça de Maio, onde amanhã (10) Cristina Kirchner discursará para a população depois de assumir a presidência do país, os argentinos ainda são minoria diante dos grupos de turistas.


Em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino, os poucos argentinos na praça trabalham na montagem do palco onde Cristina discursará ou vendem bandeiras e suvernir para os turistas, como o casal de namorados Mariel Alegre e Fabían Gonzalez.

Mariel, que é professora primária e ajuda o namorado nas vendas dos finais de semana, espera que a população pobre consiga melhorar de vida no governo da nova presidenta.

"Espero que todos os argentinos possam se beneficiar de uma economia próspera, tanto os que estão bem financeiramente quanto os que ganham pouco", disse a professora, que leciona fora da capital e ganha cerca de R$ 320 por mês.

Já o ambulante Fabían Gonzalez não é tão otimista. Para ele, Cristina não cumprirá a promessa de ajudar os mais pobres como, segundo o ambulante, outros políticos já prometeram e não cumpriram. Ele criticou também as viagens internacionais da nova presidenta.

"Deve seguir trabalhando todos os dias e não ficar passeando fora do país, gastando o dinheiro dos argentinos", reclamou.

"Que ajude as pessoas do norte e sul do país. Fora da capital, vemos a gente que necessita de educação, trabalho e passa fome. Sempre prometem e não cumprem", afirmou, acrescentando que trabalhará amanhã durante a posse como se fosse um dia qualquer.

Depois de eleita, uma das viagens de Cristina foi ao Brasil, no dia 19 de novembro, para se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.

Do outro lado da praça, parentes das vítimas do incêndio na discoteca Cromagnon, em Buenos Aires, em 2004, colocavam faixas relembrando a morte de mais 180 pessoas na tragédia, a maior parte jovens.

A arquiteta Adriana Magnoli, que perdeu a filha de 17 anos, participou do ato. Ao ser questionada pela reportagem sobre o que espera do governo de Cristina Kirchner, ela disparou contra o encontro que a nova presidente terá nos próximos dias com Yolanda Pelucio, mãe da ex-candidata à Presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, sequestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) ha´seis anos.

"Nunca nos recebeu e um de seus primeiros atos de governo será receber a mãe de Ingrid Betancourt. Não compartilhamos com essa situação na Colômbia, mas durante três anos nunca nos recebeu. Seu primeiro ato de governo é receber uma outra mãe", criticou.

Antes de participar da posse de Cristina na tarde de amanhã, o presidente Lula Lula tomará café da manhã com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Eles devem falar sobre a situação de Ingrid Betancourt.

Na última sexta-feira (7), o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, disse que o governo colombiano não havia solicitado, até o momento, pedido para que Lula entrasse nas negociações para libertação da refém.

 


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