Antônio Cruz/Abr
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Buenos Aires (Argentina) - Preparativos para a posse da presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner
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Buenos Aires (Argentina) - Na Praça de
Maio, onde amanhã (10) Cristina Kirchner discursará
para a população depois de assumir a presidência
do país, os argentinos ainda são minoria diante dos
grupos de turistas.
Em frente à Casa
Rosada, sede do governo argentino, os poucos argentinos na praça
trabalham na montagem do palco onde Cristina discursará ou vendem
bandeiras e suvernir para os turistas, como o casal de namorados
Mariel Alegre e Fabían Gonzalez.
Mariel, que é
professora primária e ajuda o namorado nas vendas dos finais
de semana, espera que a população pobre consiga
melhorar de vida no governo da nova presidenta.
"Espero que todos
os argentinos possam se beneficiar de uma economia próspera,
tanto os que estão bem financeiramente quanto os que ganham pouco",
disse a professora, que leciona fora da capital e ganha cerca de R$
320 por mês.
Já o ambulante
Fabían Gonzalez não é tão otimista. Para
ele, Cristina não cumprirá a promessa de ajudar os mais
pobres como, segundo o ambulante, outros políticos já
prometeram e não cumpriram. Ele criticou também as
viagens internacionais da nova presidenta.
"Deve seguir
trabalhando todos os dias e não ficar passeando fora do país,
gastando o dinheiro dos argentinos", reclamou.
"Que ajude as
pessoas do norte e sul do país. Fora da capital, vemos a gente
que necessita de educação, trabalho e passa fome.
Sempre prometem e não cumprem", afirmou, acrescentando
que trabalhará amanhã durante a posse como se fosse um
dia qualquer.
Depois de eleita, uma
das viagens de Cristina foi ao Brasil, no dia 19 de novembro, para se
encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no
Palácio do Planalto.
Do outro lado da praça,
parentes das vítimas do incêndio na discoteca Cromagnon,
em Buenos Aires, em 2004, colocavam faixas relembrando a morte de
mais 180 pessoas na tragédia, a maior parte jovens.
A arquiteta Adriana
Magnoli, que perdeu a filha de 17 anos, participou do ato. Ao ser
questionada pela reportagem sobre o que espera do governo de Cristina
Kirchner, ela disparou contra o encontro que a nova presidente terá
nos próximos dias com Yolanda Pelucio, mãe da
ex-candidata à Presidência da Colômbia, Ingrid
Betancourt, sequestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias
da Colômbia (Farcs) ha´seis anos.
"Nunca nos recebeu
e um de seus primeiros atos de governo será receber a mãe
de Ingrid Betancourt. Não compartilhamos com essa situação
na Colômbia, mas durante três anos nunca nos recebeu. Seu
primeiro ato de governo é receber uma outra mãe",
criticou.
Antes de participar da
posse de Cristina na tarde de amanhã, o presidente Lula Lula
tomará café da manhã com o presidente da
Colômbia, Álvaro Uribe. Eles devem falar sobre a
situação de Ingrid Betancourt.
Na última
sexta-feira (7), o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach,
disse que o governo colombiano não
havia solicitado, até o momento, pedido para que Lula entrasse
nas negociações para libertação da refém.