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Brasília - Um ato ecumênico em apoio ao bispo da Diocese de Barra (BA), Dom Luiz Flávio Cappio, está sendo realizado hoje (9) em Sobradinho, na Bahia. O bispo entrou no 13º
dia de greve de fome contra o projeto de transposição
do Rio São Francisco.
Caravanas de Pernambuco, Alagoas,
Sergipe e Bahia participam do ato. A
Comissão Pastoral da Terra calcula que 5 mil pessoas
participem do movimento.
Os manifestantes são
contra a transposição do Rio São Francisco
porque acreditam que o projeto causará danos ambientais
irreversíveis, além de beneficiar apenas a população
com maior poder aquisitivo. O medo é de que ribeirinhos e
cidadãos que dependem do rio para a sobrevivência percam
sua fonte de renda.
Para Ruben Siqueira,
representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o governo
federal não representa a população mais carente
e governa apenas para “o grande capital, maltratando as
questões populares”.
“Não é
concentrando água na mão do grande capital que se vai
desenvolver o semi-árido. Não é impondo mais um
uso sobre todos os outros que se vai salvar o São Francisco,
mas sim levá-lo mais rapidamente à morte”, afirmou.
Siqueira informou que apesar de estar ingerindo apenas soro caseiro, o estado de saúde
de Dom Cappio é bom. O líquido é utilizado deste
o 9º dia de greve de fome, seguindo orientações
médicas. “Ele se preparou muito bem para essa luta”, acrescentou.
Esta é a segunda
vez em dois anos que o bispo deixa de se alimentar pela mesma causa.
A greve de fome anterior durou 11 dias e foi encerrada após um
acordo com o governo federal.
O Projeto de Integração
do Rio São Francisco às Bacias do Nordeste Setentrional
pode atingir cerca de 12 milhões de habitantes da região
mais árida do Brasil. As obras dos primeiros trechos começaram
em junho deste ano e estão sendo executadas pelo Batalhão
de Engenharia do Exército.
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