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Brasília - A questão do latifúndio na Bolívia não foi decidida na reunião da Assembléia
Constituinte, realizada na madrugada de hoje (9) em Oruro, e será submetida a
referendo popular. A população vai determinar a partir de qual extensão uma
propriedade rural será considerada latifúndio, já que nenhuma das propostas
obteve aprovação de dois terços dos constituintes.
As duas propostas são: 10 mil hectares e 5 mil hectares. As perguntas do
referendo devem ser aprovadas pelo Congresso Nacional para que, num prazo de
quatro meses, sejam levadas à consulta popular.
A nova Constituição, que institui um Estado plurinacional, teve 99,8% do texto
aprovado pela Assembléia, mas ainda depende de aprovação do povo boliviano. Um
dos artigos proíbe a existência do latifúndio, por ser "contrário ao interesse
coletivo e ao desenvolvimento do país".
A Carta Magna determina que o Estado "reconhecerá, protegerá e garantirá a
propriedade pública e a propriedade privada individual ou comunitária da terra,
desde que cumpram uma função social ou uma função econômica social". Estabelece
também que os estrangeiros não podem adquirir terras do Estado.
No final da reunião, a discussão sobre qual deve ser a capital do país voltou
a provocar atritos entre os constituintes dos departamentos (estados) de La Paz e Chuquisaca, que
protagonizaram um debate acalorado.
Os chuquisaqueños
acabaram abandonando a sala, porque sua proposta de constitucionalizar a cidade
de Sucre como "capital constitucional da República" não foi aceita.
Sucre é a capital oficial da Bolívia, mas os poderes Executivo e Legislativo
estão radicados em La Paz desde
1899.
O novo texto constitucional também entrega ao povo a propriedade dos recursos
naturais.
Os constituintes estiveram reunidos até a manhã de hoje, durante mais de 13
horas. Milhares de campesinos, mineradores e indígenas de Oruro, El
Alto e outras regiões fizeram vigília do lado de fora do Centro de Convenções
da Universidade Técnica de Oruro.
Combateram o frio de dois graus centígrados com fogueiras. Para espantar o
sono, constituintes, jornalistas, pessoal de apoio, representantes dos movimentos
sociais e até policiais recorreram a folhas de coca.
A Constituição determina que "o Estado reconhecerá a coca originária e
ancestral como patrimônio cultural, recurso natural renovável da biodiversidade
da Bolívia, e como fator de coesão social".
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