O ex-deputado federal
Pedro Côrrea (PP) será o primeiro interrogado entre os
40 réus da ação penal do mensalão, em
curso no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar responsabilidades
por um susposto esquema de desvio de recursos públicos em
favor da compra de votos de parlamentares do Congresso Nacional,
entre 2003 e 2005.
O depoimento será tomado por juízes
federais federais de Pernambuco na sexta-feira (14). O ex-deputado é
acusado pelo Ministério Público Federal de formação
de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
As oitivas dos 40 réus foram
delegadas a pedido do ministro Joaquim Barbosa, relator do processo.
A possibilidade é prevista no Artigo 239 do Regimento Interno
do STF: “O Relator poderá delegar o interrogatório do
réu e qualquer dos atos de instrução a juiz ou
membro de outro Tribunal, que tenha competência territorial no
local onde devam ser produzidos”. Um recurso ajuizado por nove réus
no processo que pretendiam ser interrogados pelo próprio
ministro foi negado por unanimidade no plenário do STF, na
última quinta-feira (6).
Um cronograma informado por
Barbosa prevê a realização de interrogatórios
também nas seguintes datas: 17 e 18 deste mês, no
Distrito Federal; 11 de janeiro de 2008, no Paraná; 16 de
janeiro, na Bahia; 23 e 24 de janeiro, em São Paulo; 30 de
janeiro, em Santa Catarina; 12, 13 e 14 de fevereiro, no Rio de
Janeiro.
Por determinação do plenário do
STF, os interrogatórios dos réus envolvidos na ação
foram marcados em datas não coincidentes, para permitir que os
defensores dos co-réus em acusações idênticas
assistam a eles. Pelos menos 18 interrogatórios estão
confirmados até o momento.
Em Brasília serão
ouvidos os atuais deputados federais João Paulo Cunha, José
Genoino e Paulo Rocha, todos do PT, Pedro Henry (PP) e Valdemar Costa
Nesto (PR). No Paraná, o ex-tesoureiro do PTB, Emerson
Palmieri. Na Bahia, o publicitário Duda Mendonça e sua
sócia Zilmar Fernandes. Em São Paulo, o ex-tesoureiro
do PT, Delúbio Soares, o ex- secretário geral da
legenda Silvio Pereira, o ex- ministro chefe da Casa Civil, José
Dirceu, e os donos da corretora Bônus Banval, Enivaldo Quadrado
e Breno Fischberg. Em Santa Catarina, o empresário Carlos
Alberto Quaglia e no Rio de Janeiro, o presidente do PTB, Roberto
Jefferson, o ex-deputado Bispo Rodrigues e o ex-diretor de marketing
do Banco do Brasil Henrique Pizzolato.