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10 de Dezembro de 2007 - 19h48 - Última modificação em 10 de Dezembro de 2007 - 19h59


Falta de emprego e infra-estrutura dificultam a vida em Abaetetuba

Irene Lôbo
Enviada especial

 
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Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Abaetetuba (PA) - Casas de palafita na cidade onde uma adolescente ficou presa por quase um mês em uma cela masculina. Líderes comunitários e religiosos reivindicam saneamento e investimentos sociais para combater outras violações aos direitos de crianças e adolescentes
Abaetetuba (PA) - Casas de palafita na cidade onde uma adolescente ficou presa por quase um mês em uma cela masculina. Líderes comunitários e religiosos reivindicam saneamento e investimentos sociais para combater outras violações aos direitos de crianças e adolescentes
Abaetetuba (Pará) - O movimento nas ruas da cidade começa cedo. Às 7 horas, moradores já cruzam o centro comercial apressados. A bicicleta é um dos meios de transporte mais utilizados. Barato, também, serve para superar buracos e a falta de infra-estrutura urbana, que ainda obriga parte da população a morar em palafitas.

O município que entrou no noticiário nos últimos dias por causa da prisão de uma adolescente em cela masculina é uma cidade de interior, mas com problemas típicos de centros urbanos. Dados da Pastoral do Menor indicam que 70% da população está desempregada.

O número de habitantes, de acordo com contagem feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), chegava a 132,2 mil em 1997. A criação de um pólo de alumínio na região provocou um êxodo rural na década de 80. O emprego só foi garantido no período de construção do pólo.

Depois disso, os homens que não tinham o ensino fundamental completo ficaram desempregados. A falta de oportunidade favoreceu a entrada do narcotráfico e exploração sexual na região.

"A cidade de Abaetetuba é extremamente pobre. Tem a sua renda pautada no extrativismo, principalmente de palmito, mas que não tem nenhuma empresa. Um município de gente humilde e gente pobre, em que a exploração sexual de crianças impera dentro da cidade”, lamenta o coordenador do Movimento Nacional de Luta pela Moradia Popular do Pará, Miguel Lobato.

No cais do porto, às margens do rio Maratauira, um dos afluentes do rio Tocantins, meninas entre 13 e 16 anos fazem programa por R$ 5. “E o pior é você ver as meninas nas canoas indo para os navios que vêm para levar o alumínio”, denuncia André Franzini, coordenador da Pastoral do Menor de Abaetetuba há 12 anos.

Segundo ele, a atuação da Polícia Federal reduziu nos últimos anos o grande tráfico de drogas, mas acabou alimentando o pequeno tráfico. “Têm famílias inteiras que vivem disso, que comercializam isso, tem drogas nas gavetas dos quartos das pessoas, então esse é um problema.”

De acordo com a conselheira tutelar Maria Imaculada dos Santos, a família da menina presa e violentada em uma cela masculina enfrentava os mesmos problemas e falta de acesso a serviços básicos que boa parte da população da Abaetetuba.

“A mãe se separou do pai quando ela ainda era uma criança pequena, e eles brigavam muito. Obtivemos informações que essa menina também era usada pelos próprios traficantes. Ela era obrigada a roubar para levar para o traficante”, diz a conselheira.

Para o coordenador da Pastoral do Menor do município, o desafio agora é ampliar os investimentos em políticas públicas e desenvolver projetos para melhorar a auto-estima da população.

"A menina que foi presa é uma das centenas de adolescentes que ficam perambulando nessa nossa região. Não é um caso especial. Talvez o final da história dela tenha sido esse, mas ela é uma das centenas de crianças e adolescentes que ficam sendo rotuladas e colocadas na cadeia para a polícia matar."


 


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