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10 de Dezembro de 2007 - 17h11 - Última modificação em 10 de Dezembro de 2007 - 18h42


Menina presa no Pará completa 16 anos no Dia Internacional dos Direitos Humanos

Irene Lôbo
Enviada especial

 
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Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Abaetetuba (Pará) - A conselheira tutelar Maria Imaculada dos Santos fez parte do grupo que recebeu denúncia sobre jovem presa em cela masculina e atuou para libertá-la. De acordo com ela, são necessários investimentos na cidade para impedir a violação dos direitos de crianças e adolescentes Abaetetuba (Pará) - A conselheira tutelar Maria Imaculada dos Santos fez parte do grupo que recebeu denúncia sobre jovem presa em cela masculina e atuou para libertá-la. De acordo com ela, são necessários investimentos na cidade para impedir a violação dos direitos de crianças e adolescentes
Abaetetuba (Pará) - A adolescente que ficou presa por quase um mês em uma cela com 20 homens no município de Abaetetuba (PA) faz aniversário hoje (10), Dia Internacional dos Direitos Humanos. Aos 16 anos, ela foi incluída no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte. A investigação sobre os culpados pelas diversas violações sofridas pela adolescente segue em andamento.

Em Abaetetuba, cidade a aproximadamente 100 quilômetros da capital de Belém, líderes comunitários e religiosos trabalham para combater a violência contra crianças e adolescentes. Foi a partir do trabalho do Conselho Tutelar local que o caso da jovem presa e violentada em uma cela masculina começou a ser desvendado.

“O que a gente vê é que as pessoas não acreditam mais em Justiça, principalmente na delegacia", diz a conselheira Maria Imaculada dos Santos.

"Na realidade, eu acredito que a população não acreditava mais em ninguém. Inclusive eles acreditavam em nós, mas nós queríamos prova para pedir as providências e as pessoas não assinavam termos de declaração para não se comprometer.”

Logo após a divulgação do caso, o prefeito da cidade, Luiz Gonzaga Lopes, assinou um ajuste de conduta e enviou ao Conselho Tutelar dois aparelhos de ar condicionado, dois ventiladores, uma geladeira, um fogão, uma televisão e um computador com impressora.

“A gente já havia pedido, a gente sempre mandava ofício à prefeitura, à Secretaria de Assistência Social, nós também demos entrada no Ministério Público há muitos meses, antes de acontecer o fato”, conta Imaculada. Ela fez parte do grupo de conselheiros que, após receber a certidão de nascimento da adolescente presa, foram tirá-la da prisão.

“Ela estava com uma saia bem curtinha e uma blusa bem curtinha também, parecia um sutiã de alcinha, veio toda envergonhada para o nosso lado e disse: - que bom que vocês vieram, eu estou dizendo há muito tempo que sou adolescente, mas não acreditam. Então vão à casa do meu pai e falem para ele vir me buscar que eu não quero mais ficar aqui.”

A conselheira acha que uma das prioridades mais urgentes é criar políticas públicas de lazer para a juventude de Abaetetuba. “A diversão aqui são as festas, muito cedo. Porque até as nossas praças, que hoje deveriam ser direcionadas a esses jovens, a partir da sexta-feira são tomadas por donos de bares”, diz Imaculada.

“Não se tem na cidade uma quadra de esporte para oferecer lazer para os jovens, é uma situação difícil. Então esses recursos precisam chegar à criança e ao adolescente e a gente vê que isso ainda não é prioridade”, completa outro conselheiro, José Maria Quaresma.


 


 

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