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Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
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Abaetetuba (Pará) - A conselheira tutelar Maria Imaculada dos Santos fez parte do grupo que recebeu denúncia sobre jovem presa em cela masculina e atuou para libertá-la. De acordo com ela, são necessários investimentos na cidade para impedir a violação dos direitos de crianças e adolescentes
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Abaetetuba (Pará) - A adolescente que ficou presa por quase um mês em uma cela com 20 homens no
município de Abaetetuba (PA) faz aniversário hoje (10), Dia Internacional dos
Direitos Humanos. Aos 16 anos, ela foi incluída no Programa de Proteção a
Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte. A investigação sobre os culpados
pelas diversas violações sofridas pela adolescente segue em andamento.
Em Abaetetuba, cidade a aproximadamente 100 quilômetros da capital de Belém, líderes
comunitários e religiosos trabalham para combater a violência contra crianças e
adolescentes. Foi a partir do trabalho do Conselho Tutelar local que o caso da jovem presa e violentada em uma
cela masculina começou a ser desvendado.
“O que a gente vê é que as pessoas não acreditam mais em Justiça,
principalmente na delegacia", diz a conselheira Maria Imaculada dos
Santos.
"Na realidade, eu acredito que a população não
acreditava mais em ninguém. Inclusive eles acreditavam em nós, mas nós
queríamos prova para pedir as providências e as pessoas não assinavam termos de
declaração para não se comprometer.”
Logo após
a divulgação do caso, o prefeito da cidade, Luiz Gonzaga Lopes, assinou um
ajuste de conduta e enviou ao Conselho Tutelar dois aparelhos de ar
condicionado, dois ventiladores, uma geladeira, um fogão, uma televisão e um
computador com impressora.
“A gente
já havia pedido, a gente sempre mandava ofício à prefeitura, à Secretaria de
Assistência Social, nós também demos entrada no Ministério Público há muitos
meses, antes de acontecer o fato”, conta Imaculada. Ela fez parte do grupo de
conselheiros que, após receber a certidão de nascimento da adolescente presa,
foram tirá-la da prisão.
“Ela
estava com uma saia bem curtinha e uma blusa bem curtinha também, parecia um sutiã
de alcinha, veio toda envergonhada para o nosso lado e disse: - que bom que
vocês vieram, eu estou dizendo há muito tempo que sou adolescente, mas não
acreditam. Então vão à casa do meu pai e falem para ele vir me buscar que eu
não quero mais ficar aqui.”
A conselheira acha que uma das
prioridades mais urgentes é criar políticas públicas de lazer para a juventude
de Abaetetuba. “A diversão aqui são as festas, muito cedo. Porque até as nossas
praças, que hoje deveriam ser direcionadas a esses jovens, a partir da
sexta-feira são tomadas por donos de bares”, diz Imaculada.
“Não
se tem na cidade uma quadra de esporte para oferecer lazer para os jovens, é
uma situação difícil. Então esses recursos precisam chegar à criança e ao
adolescente e a gente vê que isso ainda não é prioridade”, completa outro conselheiro, José Maria Quaresma.
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