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Brasília - O clima está
tenso na Bolívia após a aprovação da
reforma constitucional pela Assembléia Constituinte, domingo
passado (9). Na esfera política, governadores da oposição
anunciaram que vão declarar autonomia no próximo
sábado, apresentando um estatuto independente. Nas ruas, novos
conflitos deixaram uma pessoa ferida em Santa Cruz de la Sierra, um
dos estados que reivindicam autonomia.
A ameaça de
declaração de autonomia foi feita por governadores
(chamados na Bolívia de prefeitos) de quatro estados
(departamentos), a chamada “meia-lua”: Santa Cruz, Pando, Beni e
Tarija. Eles se dizem insatisfeitos com a forma como a
nova Constituição trata o tema da autonomia, uma antiga
reivindicação das regiões mais ricas do país.
Os governadores
convocaram a população a não respeitar a Carta
Magna. Santa Cruz desenhou inclusive uma moeda própria, que
também deve ser apresentada no fim de semana.
O presidente Evo
Morales convocou os governadores e demais autoridades a “trabalharem
juntos, com base na nova Constituição”, além
de declarar un período de paz para as festas de fim de ano.
O comandante geral da
Polícia, general Miguel Vásquez, foi mais duro.
Advertiu que cumprirá seu papel constitucional em “defesa da
sociedade” e “manutenção da ordem pública”,
“mesmo que isso desagrade muita gente”. Ele disse que vem
acumulando informações sobre os atos de violência
que têm ocorrido nas regiões autonomistas para poder
tomar as ações adequadas.
Em Santa Cruz, na
Praça 24 de Setembro, um cidadão foi “brutalmente”
agredido ontem por pessoas em greve de fome contra a reforma
constitucional, na definição da Agência Boliviana
de Informação (ABI), que é estatal. Ele foi
acusado de ser militante do Movimento ao Socialismo (MAS), partido do
governo, e de estar infiltrado tirando fotos dos manifestantes.
O
constituinte Ruben Dario Cuellar, chefe de bancada do Podemos,
principal partido da oposição, contou à Agência
Brasil, por telefone, que o rapaz entrava de barraca em barraca
fotografando as pessoas, sem possuir nenhuma credencial. Ele, que
recentemente denunciou ter sofrido um atentado, acha que esse tipo de
situação é reflexo do clima de tensão
implantado pelo governo.
O agredido em Santa
Cruz tentou fugir, mas foi derrubado e coberto de socos e pontapés
no corpo todo, especialmente no rosto. “Índio de merda”,
gritavam os manifestantes. Ele saiu correndo e tentou entrar num
ônibus, mas o motorista não deixou.
A ABI informa que são
freqüentes os atentados contra pessoas que discordam do Comitê
Cívico pro Santa Cruz e seu grupo de choque, a Unión
Juvenil Cruceñista.
O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, que durante a posse de Cristina
Kirchner, ontem, chamou Evo Morales de “a
coisa mais extraordinária” que aconteceu na América
do Sul, deve visitar a Bolívia no próximo fim de
semana.
* Com informações da Agência Boliviana de Informação.
(alterada para correção no número de estados que prometem declarar autonomia e exclusão de Cochabamba)
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