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São Paulo - Industriais brasileiros
manifestaram hoje (11) ao ministro do Comércio Exterior de
Cuba, Raul de la Nuez Ramírez, durante encontro na Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp),
interesse em estreitar as relações comerciais com o
país. Ramírez expôs aos empresários a
situação econômica de Cuba, e disse que também
há interesse por parte do governo cubano de aumentar as
relações comerciais com o Brasil.
Segundo Ramírez,
dos países da América Latina a Venezuela ocupa o
primeiro lugar entre os importadores de produtos de cubanos. O Brasil
está em segundo lugar na balança comercial do país.
“Cuba é um exportador de combustíveis e a Venezuela é
o primeiro comprador de combustíveis de Cuba. Também há
comércio de serviços de Cuba para a Venezuela nos
últimos anos”, disse.
O fluxo comercial de
Cuba com os outros países da América Latina chega a US$
12 milhões. Até setembro o crescimento foi de 12%,
segundo o ministro.
Ramírez disse
que seu país pretende modernizar a indústria
açucareira, mas que o etanol não é um dos
maiores interesses de Cuba, porque o país não produz
cana-de-açúcar com a finalidade de uso para
combustível.
“Cuba já se
pronunciou publicamente por não utilizar alimentos para
produção de combustíveis. O Brasil tem uma
situação diferente, tem grandes áreas de terra
para plantar. Cuba é um país menor do que o Brasil. Lá
nós produzimos etanol para uso na indústria
farmacêutica e alimentícia”, explicou.
Os empresários
brasileiros manifestaram descontentamento com relação
às linhas de crédito disponíveis para o comércio
entre os dois países. O ministro cubano afirmou que o governo
está estudando as possibilidades para novas linhas de
financiamento junto aos países com quem pretende negociar.
“Há 50 anos
Cuba está submetida a um bloqueio por parte dos Estados Unidos
que impede o acesso de Cuba ao mercado de capitais. Temos tido
soluções para comprar alimentos no Brasil e estamos
estudando e negociando acordos de financiamentos para adquirir bens
industriais”, disse.
Ramírez disse
ainda que o país tem grande disponibilidade e necessidade de
modernizar sua frota de veículos leves e pesados - caminhões
e ônibus. “Possivelmente somos o único país que
ainda tem veículos fabricados de 1950 a 1960 andando nas ruas.
São pitorescos, mas obsoletos. Precisamos de caminhões
e ônibus, porque os nossos utilizam gasolina como combustível
e consomem muito”.
Ele disse que a
indústria automobilística pode participar dessa
renovação, mas ressaltou que é essencial que
haja alguma linha de financiamento adequada.
O ministro cubano
participa amanhã (12), em Brasília, da abertura da 7ª
Reunião da Comissão Mista de Cooperação
Técnica Brasil-Cuba.
O ministro também
tem agendado encontros com os ministros da Saúde (José
Gomes Temporão), do Turismo (Marta Suplicy), de Minas e
Energia (Nelson Hubner) e da Fazenda (Guido Mantega).
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