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Brasília - O governo da Bolívia
anunciou hoje (12) que um contingente de policiais será
posicionado em Santa Cruz de la Sierra, região leste do país,
para evitar depredações e possíveis excessos da
população na próxima sexta-feira, quando a
administração departamental (estadual) declarar sua
autonomia.
A informação
é da Agência Boliviana de Informação. Dias
atrás, no entanto, foi divulgada a notícia de que o
estatuto de autonomia seria apresentado no sábado. Não
só por Santa Cruz, mas também pelos três outros
departamentos que também reivindicam mais independência
em relação ao governo central (Pando, Beni e Tarija).
“A polícia
está indo resguardar bens públicos e privados em Santa
Cruz, por causa das advertências alarmistas que os cívicos
dessa região fizeram”, afirmou o porta-voz da Presidência,
Alex Contreras. Ele se refere aos integrantes do Comitê Cívico
de Santa Cruz, entidade formada por representantes de diversos
setores da sociedade, que faz oposição ao governo e à
Constituição aprovada no último fim de semana,
que ainda vai a referendo popular.
Contreras, no entanto,
negou que o Executivo pretenda implantar estado de sítio e
disse que são falsas as especulações a esse
respeito. O
clima anda tenso no país por causa da reforma
constitucional. Quando a reforma foi aprovada em primeira instância, no mês passado, em Sucre, houve conflitos violentos e mortes.
Entidades têm se manifestado sobre o
processo em curso e prometido tomar atitudes. A Confederação
Sindical de Colonizadores da Bolívia, formada por povos
originários do país, instruiu suas federações
a bloquear estradas por 24 horas no sábado nas regiões
da “meia-lua”, formada pelos cinco departamentos autonomistas.
Anunciou também a redação de um estatuto
autonomista provincial e indígena.
A nova Constituição
prevê autonomias departamental, municipal e regional, sendo que
esta última inclui territórios indígenas. No que
se refere aos departamentos, no entanto, a reclamação é
de que o texto constitucional, embora mencione a autonomia, não
atende a reivindicações de maior liberdade para
determinar políticas públicas e controlar recursos
naturais, entre outros.
A Confederação Sindical
Única de Trabalhadores Campesinos da Bolívia informou
que milhares de pessoas vão marchar e se concentrar sábado
na Praça Murillo, em La Paz, em apoio à nova
Constituição.
* Com informações da Agência Boliviana de Informação.
(alterada para correção do número de estados que exigem autonomia e exclusão de Cochabamba)
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