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12 de Dezembro de 2007 - 18h00 - Última modificação em 17 de Dezembro de 2007 - 14h39


Evo Morales prepara polícia para agir em Santa Cruz caso haja conflitos

Julio Cruz Neto*
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O governo da Bolívia anunciou hoje (12) que um contingente de policiais será posicionado em Santa Cruz de la Sierra, região leste do país, para evitar depredações e possíveis excessos da população na próxima sexta-feira, quando a administração departamental (estadual) declarar sua autonomia.

A informação é da Agência Boliviana de Informação. Dias atrás, no entanto, foi divulgada a notícia de que o estatuto de autonomia seria apresentado no sábado. Não só por Santa Cruz, mas também pelos três outros departamentos que também reivindicam mais independência em relação ao governo central (Pando, Beni e Tarija).

“A polícia está indo resguardar bens públicos e privados em Santa Cruz, por causa das advertências alarmistas que os cívicos dessa região fizeram”, afirmou o porta-voz da Presidência, Alex Contreras. Ele se refere aos integrantes do Comitê Cívico de Santa Cruz, entidade formada por representantes de diversos setores da sociedade, que faz oposição ao governo e à Constituição aprovada no último fim de semana, que ainda vai a referendo popular.

Contreras, no entanto, negou que o Executivo pretenda implantar estado de sítio e disse que são falsas as especulações a esse respeito. O clima anda tenso no país por causa da reforma constitucional. Quando a reforma foi aprovada em primeira instância, no mês passado, em Sucre, houve conflitos violentos e mortes.

Entidades têm se manifestado sobre o processo em curso e prometido tomar atitudes. A Confederação Sindical de Colonizadores da Bolívia, formada por povos originários do país, instruiu suas federações a bloquear estradas por 24 horas no sábado nas regiões da “meia-lua”, formada pelos cinco departamentos autonomistas. Anunciou também a redação de um estatuto autonomista provincial e indígena.

A nova Constituição prevê autonomias departamental, municipal e regional, sendo que esta última inclui territórios indígenas. No que se refere aos departamentos, no entanto, a reclamação é de que o texto constitucional, embora mencione a autonomia, não atende a reivindicações de maior liberdade para determinar políticas públicas e controlar recursos naturais, entre outros.

A Confederação Sindical Única de Trabalhadores Campesinos da Bolívia informou que milhares de pessoas vão marchar e se concentrar sábado na Praça Murillo, em La Paz, em apoio à nova Constituição.

* Com informações da Agência Boliviana de Informação. (alterada para correção do número de estados que exigem autonomia e exclusão de Cochabamba)

 


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