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Brasília - O Brasil vai financiar
um projeto no Haiti de combate ao trabalho de crianças e
adolescentes. O anúncio foi feito na assinatura do memorando
entre o governo brasileiro e a Organização
Internacional do Trabalho (OIT), para criação da
Iniciativa de Cooperação Sul-Sul no Combate ao Trabalho
Infantil.
De acordo com a diretora do escritório da OIT no
Brasil, Laís Abramo, o que se pretende com a iniciativa é
“fortalecer esforços já iniciados e abrir novos
caminhos para, através da cooperação horizontal
entre povos e nações, e do diálogo social e
solidário entre os países em desenvolvimento, avançar
em direção a esse objetivo comum” de prevenir e
erradicar as piores formas de trabalho infantil.
E o projeto a ser
desenvolvido no Haiti faz parte da iniciativa. O Brasil deve
participar com o compartilhamento das boas práticas já
desenvolvidas no país e de modelos de combate ao trabalho
infantil, além do financiamento do programa.
O governo
brasileiro é parceiro da OIT no combate ao trabalho infantil
desde 1992, quando entrou no Programa Internacional para a Eliminação
do Trabalho Infantil (IPEC).
Desde então, de
acordo com Laís Abramo,o número de crianças e
adolescentes trabalhando no Brasil já caiu em mais da metade.
“A verdade é
que o Brasil tem se afirmado nos últimos anos como uma
referência mundial na área do combate ao trabalho
infantil, e é essa experiência que a gente acha
importante sistematizar e difundir”, disse.
O ministro Celso
Amorim, que assinou o memorando pelo governo brasileiro, não
informou o valor que deve ser investido no Haiti. Mas, segundo ele,
somando os montantes aplicados nos diversos projetos dos quais o
Brasil participa naquele país, “seguramente deve estar em
mais de US$ 3 milhões a US$ 4 milhões o que a gente tem
lá”.
Amorim disse que o programa deve atuar em várias
frentes, mas principalmente na educação da população.
“Os projetos estão começando. No fundo é um
problema sobretudo educativo, de que as crianças não
devem ser fonte de rendimento, elas têm que estar aprendendo,
brincando, se desenvolvendo como seres humanos e não sendo
exploradas, esse é o sentido”, afirmou.
Não
existem dados estatísticos sobre quantas crianças e
adolescentes estariam trabalhando no Haiti atualmente. Um estudo
organizado pela OIT há cinco anos estima que, na época,
haviam cerca de 250 mil crianças no trabalho doméstico.
De acordo com o
coordenador sub-regional para a América Latina e o Caribe da
OIT, Guillermo Dema, entre 65% e 70% das crianças haitianas
não vão à escola. Ele disse que o mais provável
que elas estejam trabalhando.
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