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14 de Dezembro de 2007 - 14h16 - Última modificação em 14 de Dezembro de 2007 - 14h16


Analistas divergem sobre impacto da CPMF, mas concordam com necessidade de reforma tributária

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) provoca opiniões divergentes de analistas sobre o impacto no bolso do consumidor. A dúvida é se, além da eliminação da alíquota de 0,38% sobre as movimentações financeiras, o consumidor vai pagar menos por produtos e serviços, nos quais está embutido, por enquanto, o custo da CPMF.

Para o economista Alcides Leite, professor de Economia e Mercado Financeiro da Trevisan Escola de Negócios, ainda é necessário aguardar decisões do governo. “Eles vão buscar recompor o Orçamento, possivelmente com aumento de alíquotas de impostos já existentes”. Na opinião de Leite, se o governo aumentar alíquotas, a queda da CPMF pode não ajudar a reduzir os preços cobrados do consumidor. “Pode ser que o preço final continue o mesmo ou pode até aumentar”.

Para o presidente da Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse), Paulo Lofreta, as empresas devem retirar dos preços o custo da CPMF. Segundo ele, atualmente, o setor de serviços repassa, em média, de 1% a 1,50% de CPMF ao consumidor e, com o fim do imposto, a redução de preços deve ser no mesmo percentual. “Acho que a partir de janeiro, se não houver problema maior na economia e a inflação continuar estável a tendência é que os preços sejam reduzidos proporcionalmente à redução da CPMF .”

“Além disso teremos R$ 40 bilhões em 2008 circulando, que podem gerar mais emprego e movimentar mais a economia como um todo".

Apesar das divergências sobre o impacto indireto para os consumidores, tanto Alcides Leite quanto Paulo Lofreta concordam com a necessidade de uma reforma tributária, que eventualmente poderia conter, inclusive a CPMF.

Alcides Leite afirma que a CPMF, assim como tributos que incidem sobre renda e lucro são mais justos do que aqueles que oneram a produção e a mão-de-obra.

Para Lofreta, que defendia o fim da CPMF, não se tratava de discutir se a contribuição era “boa ou ruim”, mas de conseguir do governo a reforma tributária. “A CPMF é uma bandeira para o início da reforma tributária".

O economista Nelson Chalfun, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que a concentração de 70% da arrecadação no governo federal no Brasil é incompatível com o federalismo.”Os comandos regionais, os estados, têm uma carência muito grande de recursos, sempre dependendo de negociação com o governo federal".



 


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