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15 de Dezembro de 2007 - 12h26 - Última modificação em 17 de Dezembro de 2007 - 14h12


Greve de fome termina hoje, quando Santa Cruz declara autonomia sobre governo boliviano

Julio Cruz Neto
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Marcello Casal JR/ABr
Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) - Desiree Bravo, vice-presidente do Conselho Municipal (órgão legislativo), passou mal durante greve de fome contra a proposta constitucional do presidente Evo Morales e foi levada para o hospital
Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) - Desiree Bravo, vice-presidente do Conselho Municipal (órgão legislativo), passou mal durante greve de fome contra a proposta constitucional do presidente Evo Morales e foi levada para o hospital
Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) - Cada vez que uma pessoa é retirada de uma maca por sucumbir à falta de comida, logo se forma um aglomerado de pessoas para dar apoio moral e gritar em nome da autonomia do departamento (estado) boliviano de Santa Cruz e contra o presidente do país, Evo Morales.

A greve de fome na capital do estado, Santa Cruz de la Sierra, reúne pessoas de diferentes etnias e classes sociais, que se apóiam mutuamente, empunhando a mesma bandeira.

Depois de passar mal, Desiree Bravo, vice-presidente do Conselho Municipal (espécie de Câmara de Vereadores, mas com menos autonomia), desistiu ontem (14) do jejum.

Ao vê-la entrar na tenda médica, um grupo de senhoras correu para o local gritando em coro o nome de Desiree. Elas não fazem jejum, mas carregam cartazes de um lado e para outro e passam de barraca em barraca para pedir que as pessoas agüentem mais um pouco.

A greve termina hoje (15), quando Santa Cruz vai declarar autonomia em relação ao governo da Bolívia. "Estamos todos unidos", diz Fernando Moreno, há sete dias sem comer.

Unidos podem estar, mas não necessariamente pelo mesmo motivo e nem com a mesma fé. Um grevista que pediu para não ser identificado contou à Agência Brasil que só está acampado ali por ordem do patrão.

Ele disse ser funcionário de uma indústria têxtil que tem interesse na autonomia para controlar a renda gerada pelo estado – Santa Cruz fica no oriente, região mais rica do país.

O manifestante - em greve de fome desde o início da mobilização, 3 de dezembro - conta que não recebe nada por isso, só o salário normal, como se estivesse trabalhando. Mas diz que, dessa forma, garante a manutenção do emprego, pois já está ficando velho para o trabalho - tem 56 anos de idade.

Segundo ele, dois fiscais da empresa circulam pelo local para garantir que ninguém vai desistir, já que há vários empregados da fábrica jejuando como ele.

Moreno, o militante que está há sete dias em comer, não vê na campanha pela autonomia um jogo de interesses de empresários de Santa Cruz, por considerar que eles não precisam de dinheiro.

Ele resiste à falta de comida com soro sabor de fruta, pastilhas com vitaminas e líquidos. Não sabe quantos quilos perdeu, mas acha que a barriga está menor, mais parecida com o tempo em que ele representou a Bolívia em um concurso mundial de modelos, em 1997.

O grevista que não quis fornecer o nome tem uma dieta diferente: água, café, cigarro e folhas de coca misturadas com bicarbonato para aliviar o sabor amargo.

Segundo ele, as folhas tiram a fome e o sono. Ele conta que consegue dormir seis, sete horas por noite, depois de assistir ao noticiário – as barracas têm TV, baralho e, as mais "luxuosas", ventiladores e cafeteiras elétricas de última geração.

Na hora do noticiário, ninguém tira os olhos da tela. Ontem (14), a televisão mostrava cenas de um desentendimento ocorrido em La Paz.

A apresentadora enfatizava o fato "incomum" de manifestantes que não são do Movimento ao Socialismo (MAS, partido de Evo Morales) terem saído às ruas, em La Paz. Ressaltou também a luta deles pela "democracia", como um contraponto à reforma constitucional proposta pelo presidente.

Em seguida, um longo bloco de notícias na mesma emissora apresentou indicadores sociais da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), apontando a Bolívia como uma "ilha" cercada por países que crescem mais.

A previsão decrescimento do Produto Interno Bruto (PIB, a som das riquezas de um país) boliviano neste ano é de 3,8%.

Em entrevista à Agência Brasil, o constituinte Ruben Dario Cuellar, chefe da bancada nacional do Poder Democrático Social (Podemos, principal partido de oposição), disse que Evo tem mais culpa que antigos dirigentes pela falta de desenvolvimento do país porque atualmente estão em alta os preços de produtos que a Bolívia produz, como gás e agronegócio.

"No melhor momento econômico da Bolívia, em que os preços dos seus principais produtos duplicaram, triplicaram, quadriplicaram, temos um governo que não faz nada para aproveitar isso: não gera fontes de emprego, não gera maior produção", disse Cuellar.





 

 

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