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Marcello Casal JR/ABr
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Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) - Bomba destrói 6º andar do Palácio da Justiça da capital do estado boliviano de Santa Cruz, que hoje declara sua autonomia em relação ao governo central
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Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) - Três horas depois da explosão de uma bomba no Palácio de Justiça da cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra, capital do departamento (estado) de Santa Cruz, o cheiro de fumaça
persistia no ar ligeiramente turvo do 6º andar do edifício, destruído pela explosão.
Peritos, bombeiros, jornalistas e a maioria dos policiais já haviam deixado o local. Restavam apenas destroços, cacos de vidro e o policial
encarregado da segurança no local, Marcio Gonzales.
Ele contou que estava no térreo no momento da explosão. Ouviu um forte estrondo, mas não imaginou que fosse uma bomba. "Pensei
que o elevador tinha despencado", declarou à Agência Brasil.
Foi a mesma impressão que teve o porta-voz da Corte Superior
de Justiça, Gustavo Broschi. "Eu estava conversando no 2º andar e
ouvimos uma explosão fortíssima. Primeiro disseram que o elevador tinha caído", disse, ao confirmar a informação, passada anteriormente pelo comando policial, de ninguém se feriu.
Segundo ele, o horário da explosão (por volta de 12h local,
14h em Brasília) coincide com o fim do expediente aos sábados no prédio,
onde trabalham 650 pessoas.
Broschi contou que o Palácio da Justiça sofreu
ameaças em outras ocasiões, mas não dessa vez. Ontem (14), houve ali um julgamento, muito destacado pela imprensa local, de dois hondurenhos, condenados
a 12 e 10 anos prisão, pelo seqüestro de um menino coreano, neto do reitor da
Universidade Cristã da Bolívia (Ucebol).
Após a explosão neste sábado, os peritos saíram do edifício com diversos sacos destroços e outros vestígios. A previsão policial é que o resultado da perícia seja divulgado até amanhã (16).
O repórter policial Guider Arancilla, do jornal El
Deber, disse ter informação de que o atentado foi cometido com granada. Ele também afirmou ter ouvido relatos de que, na noite
passada, houve uma movimentação "incomum" de policiais nas proximidades do
prédio.
A reportagem da Agência Brasil averiguou a informação na maioria dos
estabelecimentos comerciais ao redor do prédio, inclusive alguns que ficam
abertos 24 horas. As pessoas negaram terem visto qualquer mobilização suspeita.
O oficial Gonzales, encarregado da segurança, disse que essa
suposição é "uma mentira" e que o movimento esteve normal na madrugada.
No entanto, ele apontou uma brecha na segurança do local. Na entrada principal, diz ele, as pessoas não podem entrar
"sequer com um cortador de unha", pois passam pelo detector de metais. Mas esse
controle não é feito na entrada dos funcionários, porque os magistrados "podem
se sentir incomodados".
No momento da explosão, a cerca de sete quarteirões dali, ocorria a apresentação do estatuto autonômico de Santa Cruz
às autoridades locais.
Logo mais, a partir das 17h (19h em Brasília),
terá início, no Parque Urbano, uma manifestação popular de apoio ao projeto de
autonomia e de coleta de assinaturas para um referendo sobre o estatuto
aprovado esta semana pela assembléia local.
A população, no entanto, já se sente independente do
governo federal. A credencial de imprensa para o evento de hoje traz a
inscrição Ya somos autónomos!!
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