Além de insultos contra o presidente da Bolívia, Evo Morales, outros fatos ocorridos ontem (15) em Santa Cruz de la Sierra revelaram o clima tenso e a intolerância da população em relação a quem pareça não apoiar o movimento autonomista.

Ontem, autoridades do departamento (estado) de Santa Cruz, fizeram a leitura públina, na capital, Santa Cruz de la Sierra, da  declaração de autonomia do estado em relação ao governo central.

Durante a apresentação do estatuto, um repórter argentino do jornal Clarín foi chamdo de idiota (pendejo) e "filho do Evo" por pessoas que pediam aos seguranças que não o deixassem entrar no evento e ameaçavam agredi-lo na saída.

Ele explicou que tinha participado de um programa da TV estatal em que predominou um tom crítico ao movimento autonomista.

No comício em que houve a leitura do texto, a reportagem da Agência Brasil foi tida por "agentes infiltrados" do governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez (aliado de Evo) e, por isso, impedida de fotografar algumas pessoas presentes.

Uma jornalista da emissora estatal italiana RAI, que estava ao lado, foi abordada por pessoas que queriam saber quem era aquele fotógrafo.

O evento foi uma animada manifestação de apoio à autonomia, com a participação em massa da população - um público que nenhuma autoridade policial soube estimar, mas que certamente ficou aquém das centenas de milhares de pessoas que algumas autoridades previram.

No palco, havia centenas de pessoas, dentre elas, parte da elite política e empresarial de Santa Cruz. Ao lado do Parlatório, destacava-se a índia quechua Florinda Ortega, da cidade de Potosi (departamento de Tarija, do outro lado do país, onde o governo goza de forte apoio popular).

Vestida com saia verde e camiseta branca, ela balançava a bandeira mais timidamente que os demais, e garantiu à reportagem que estava ali voluntariamente. "Ninguém me convidou".

Afirmou também, insistentemente, que Evo Morales "mente" quando diz querer melhorar a vida dos índios do país.