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16 de Dezembro de 2007 - 13h31 -
Última modificação
em 17 de Dezembro de 2007 - 14h00
Bolívia dividida entre cidadãos favoráveis e contrários à nova Constituição
Julio Cruz Neto
Enviado especial
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Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) - O prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, discursa após receber o estatuto de autonomia do estado, das mãos do presidente da Assembléia Provisória Autônoma
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Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) - De um lado do país, a Constituição
nacional. Do outro, a tentativa de se livrar dela. Assim foi o sábado
(15) na Bolívia, uma nação dividida que hoje recebe a
visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na capital, La Paz, movimentos sociais aliados ao
presidente Evo Morales promoveram um ato para apoiar o novo texto constitucional, já aprovado em assembléia, mas que
ainda depende de referendo popular.
No oriente boliviano, que exige menos poder para o
governo central, quatro departamentos (estados) declararam autonomia
com atos públicos: Santa Cruz, Pando, Beni e Tarija.
Em Santa Cruz de la
Sierra, capital de Santa Cruz, a festa foi em verde e branco, as cores do departamento.
Críticas duras ao presidente e elogios ao empreendedorismo da
região mais rica do país deram o tom do ato que marcou a declaração pública da autonomia.
Nos discursos, as autoridades também
procuraram reforçar a idéia de que defendem a
democracia e de que o movimento é pacifista, e não separatista.
Houve também uma homenagem aos grevistas de fome
que encerram o jejum ontem, após 12 dias acampados na
praça 24 de Setembro, zona central da cidade.
"Aqui se trabalha, não se vive do
Estado", afirmou em discurso o presidente do Conselho
Municipal, Oscar Vargas. "Ninguém nunca deu nada para
Santa Cruz".
Segundo ele, a Assembléia
Constituinte que aprovou recentemente a Constituição
é "nula e não vale nada para o povo", enquanto a
Assembléia Provisória Autonômica de Santa Cruz é "um pacto" com a população.
Ao final, chamou o prefeito Rubén Costas de
"governador". Um prefeito é a principal autoridade
de um departamento boliviano.
Chamá-lo de governador é imbui-lo
de maior poder. É o cargo que Costas passará a ocupar se a
autonomia for de fato efetivada e reconhecida legalmente. O
presidente Evo Morales a considera ilegal.
Também em discurso, o empresário Branco Marinkovic, um dos
homens mais ricos do país, pediu que Evo "respeite a
pluralidade", já que, segundo ele, uma das principais medidas da nova
Constituição é transformar o país num
"Estado plurinacional".
Antes do comício, houve a apresentação
oficial do estatuto autonômico. Em entrevista coletiva, Rubén Costas afirmou que lamenta o fato
de Lula chegar a La Paz para se encontrar com Evo,
alegando que o presidente brasileiro foi mal-tratado na ocupação
da Petrobras, ocorrida quando o governo boliviano nacionalizou as reservas de gás e petróleo do país.
Costas disse esperar
que um dia Lula visite Santa Cruz para assinar "acordos
bilaterais com a região autônoma".
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