Antonio Cruz/ABr
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Brasília - O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) deixa a 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, depois de ter sido interrogado pela juíza Maria de Fátima Costa, por acusações de pertencer ao esquema que ficou conhecido como mensalão
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Brasília - Um dos 40 acusados no
caso do mensalão, o deputado federal João Paulo Cunha
(PT-SP) afirmou que as denúncias contra ele são
absurdas.
“Considero um absurdo essas denúncias,
visto que a prova mais cabal da correção da conduta da
Presidência da Câmara foi minha absolvição
no plenário, posteriormente sendo o deputado federal mais
votado do PT em São Paulo”, argumentou. Cunha é
acusado de peculato, lavagem de dinheiro e corrupção
passiva.
O esquema do mensalão
consistiria no pagamento de valores mensais a parlamentares para aprovar
projetos de interesse do governo.
João Paulo Cunha prestou depoimento hoje
(17) na Justiça Federal. Ele negou
que tenha recebido R$ 50 mil para favorecer a empresa SMP&B,
do publicitário Marcos Valério de Souza, em licitação
da Câmara dos Deputados em 2003, quando era presidente da Casa.
Segundo Cunha, os R$ 50 mil foram solicitados por ele ao diretório
nacional do PT para pagamento de pesquisas em municípios de
São Paulo.
O deputado afirmou não saber que o dinheiro
vinha de uma conta de Marcos Valério. Segundo ele, a prova é
o fato de ter mandado sua esposa à agência do Banco
Rural para sacar o valor. “Um absurdo que querendo ocultar eu
mandaria minha esposa”, disse.
Ele confirmou que no dia anterior ao saque recebeu
em casa a visita do publicitário. Segundo o deputado, Marcos
Valério foi cumprimentá-lo pelo sucesso na votação
da reforma tributária. O advogado de defesa do réu,
Alberto Toron, comentou que “se houvesse qualquer propósito
ilícito isso teria se dado ali e não com remessa de
dinheiro por agência bancária”.
O deputado negou ainda que tenha tido qualquer
participação na escolha dos membros ou interferência
no trabalho da comissão que realizou o processo de licitação.
Segundo ele, oito agências participaram da concorrência.
O contrato firmado com a SMP&B, vencedora do processo, foi de R$
9 milhões. João Paulo destacou que não houve
“recursos administrativos ou judiciais contra o resultado da
licitação”.
Ele também disse não serem
verdadeiras as acusações de que desviou em proveito
próprio R$ 252 mil e recebeu R$ 536 mil da agência de
Marcos Valério por meio da subcontratação de
empresas de publicidade.
Antes de vencer a licitação para
prestar serviços à Câmara, em dezembro de 2003, a
agência de publicidade de Marcos Valério de Souza fez,
no mesmo ano, a campanha de João Paulo Cunha para a
Presidência da Câmara. Na ocasião, o serviço
foi pago pelo PT com três cheques no valor de R$ 50 mil cada
um, de acordo com o deputado.
A existência de um esquema que ficaria conhecido como mensalão foi denunciada em 2005 pelo então deputado
Roberto Jefferson (PTB-RJ). O relator do caso no Supremo Tribunal
Federal, ministro Joaquim Barbosa, autorizou juízes federais
de oito estados e do Distrito Federal a interrogar os acusados e
receber a defesa prévia dos réus, como forma de
agilizar o andamento.