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17 de Dezembro de 2007 - 21h57 - Última modificação em 17 de Dezembro de 2007 - 21h57


Grandes empresas cortaram relações com integrantes da lista do trabalho escravo

Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Além de impedir o acesso a financiamentos e créditos de instituições públicas, a presença na lista suja Ministério do Trabalho significa para uma empresa ou pessoa física restrições de mercado.

Segundo o membro da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) Leonardo Sakamoto, as mais de 100 empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo utilizam a lista para cortar a comercialização com quem estiver nela.

Petrobras, Ipiranga, Shell, Texaco, Esso, Pão de Açúcar, Coteminas e Vale do Rio Doce são alguns exemplos de empresas que se comprometeram a não fazer contrato com fornecedores acusados da prática de trabalho escravo. “Todas as empresas signatárias do pacto correspondem a 20% do PIB brasileiro”, lembra Sakamoto em entrevista à Agência Brasil.

O integrante da Conatrae repudia a tese de que a divulgação da existência de trabalho escravo no Brasil possa prejudicar o país no comércio internacional: “Na verdade, a lista serve como instrumento para que o empresariado brasileiro diga lá fora que está cortando relações com quem pratica o trabalho escravo”.

A nova "lista suja" do Ministério do Trabalho e Emprego tem 189 empregadores acusados de manter trabalhadores em condições análogas á de trabalho escravo. Desses, 115 localizam-se em apenas três estados: Pará, Tocantins e Maranhão. O cadastro tem atualização semestral e 13 nomes foram adicionados à lista anterior. A íntegra da lista está disponível no site do ministério.

O Grupo Móvel de Fiscalização do ministério recebeu hoje (17) o prêmio Combate ao Trabalho Escravo 2007, após ser escolhido em votação entre os membros da Conatrae. O órgão coordena oito equipes de fiscalização compostas por, em média, 15 membros, entre auditores fiscais, delegados da Polícia Federal, agentes da Polícia Rodoviária Federal, e representantes de Ministério Público do Trabalho, Procuradoria da República e, eventualmente, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Leonardo Sakamoto aponta o trabalho do grupo móvel do MTE como referência internacional, mas avalia ser necessário maior investimento em todo o sistema de combate ao trabalho escravo no Brasil: "Com mais dinheiro, recursos humanos e materiais os resultado seriam melhores. Mais procuradorias, mais Justiça do Trabalho, mais recursos para reforma agrária e geração de emprego e renda".

De 1995 até hoje, mais de 26 mil trabalhadores foram resgatados da escravidão, de acordo com o Ministério do Trabalho. Mas segundo Leonardo Sakamoto não há registro, no mesmo período, de fazendeiros condenados, presos e cumprindo pena em cadeia por explorar trabalho escravo.




 


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