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17 de Dezembro de 2007 - 07h07 - Última modificação em 17 de Dezembro de 2007 - 16h24


Lula diz que rejeição da CPMF pelo Senado faz parte do jogo democrático

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou  hoje (17) que a não-prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) pelo Senado não é o fim do mundo e faz parte do jogo democrático . Ele voltou a descartar a criação de imposto como compensação à perda de arrecadação. O presidente assegurou que o governo encontrará uma solução sem ameaçar o desempenho da economia.

“Acabou o mundo? Não. Agora, vamos ter que pensar, ter que refletir, ter que ver como vamos arrecadar uma parte desses recursos, porque nós não podemos ser irresponsáveis com a saúde brasileira, em função dos votos de alguns senadores. Vamos trabalhar com muita maturidade, com muita compreensão e vamos encontrar uma solução”, disse em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente.

“Não há nenhum motivo para qualquer precipitação, para anunciar medidas de forma extemporânea, para anunciar novos impostos. Vamos sentar e vamos ver qual foi o estrago, o que fazer para colocar no lugar. Obviamente, nós vamos ter que arrumar uma grande parte desse recursos”, completou.

Ontem (16), ao ser questionado sobre a sugestão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de criar um imposto para substituir a CPMF, Lula respondeu que a equipe econômica precisa convencê-lo dessa idéia. Em nota, Mantega negou ter defendido a criação de um tributo, conforme foi publicado no jornal O Estado de S. Paulo.

Na edição de hoje do Café com o Presidente, Lula admitiu que o governo terá de repensar os cálculos para 2008, porém destacou que ainda debaterá o assunto com a equipe econômica e repetiu várias vezes que não tomará medidas que coloquem em risco a economia.

“O Brasil está aprendendo a gostar das coisas boas que estão acontecendo.  O povo está recuperando sua auto-estima e, finalmente, o Brasil se encontrou consigo mesmo. Não vou permitir que nada, nada, absolutamente nada atrapalhe os bons momentos que vive o Brasil”, afirmou.

O presidente disse ainda que não mexerá no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ou nas políticas sociais por conta do fim da CPMF. “As políticas sociais vão continuar acontecendo. Vamos tomar todas as medidas para que a gente não mexa no PAC, para que a gente não mexa nas políticas sociais. Se a economia crescer, certamente vamos ter possibilidade de arrecadar mais dinheiro. Se for necessário fazer algumas mudanças, vamos, com muito cuidado, com muito critério, tomar essas medidas nos próximos dias, mas sem criar qualquer embaraço ou qualquer problema para a tranqüilidade que vive a economia brasileira”, acrescentou.

Lula voltou a responsabilizar os senadores que votaram contra a prorrogação do imposto, inclusive da base aliada, pelo dinheiro que a área da saúde poderá deixar de receber em 2008. Dos R$ 88,6 bilhões previstos para o PAC da Saúde nos próximos quatro anos, R$ 24 bilhões viriam da arrecadação com a CPMF.

“As pessoas ficam se perguntando quem perdeu, se foi o Lula, se foram os governadores, ou seja, na verdade, quem perdeu foi o país. Perderam quase 6 mil prefeitos do Brasil, perderam 27 governadores de estado e perdeu toda a população brasileira que utiliza o Sistema Único de Saúde, que utiliza o SUS”, afirmou.

Na quarta-feira (19), Lula vai se reunir com os ministros para avaliar os impactos do fim da CPMF.




 


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