Brasil e Bolívia acabam de firmar acordo que prevê investimento de US$ 750 milhões a US$ 1 bilhão em novos campos de gás natural explorados pela Petrobras naquele país.
O acordo foi assinado pelos presidentes dos dois países, Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales.
O memorando prevê o início de uma nova fase de investimento em hidrocarbonetos entre os dois países.
A Petrobras e o governo boliviano
já tiveram posições conflitantes na questão do gás. As divergências tiveram início no dia 1º de maio do ano passado, quando o presidente Evo Morales
assinou o chamado Decreto Supremo, de nacionalização de reservas e ativos das empresas
petrolíferas que atuam no país, entre as quais a Petrobras – a de maior peso e
importância econômica para a Bolívia.
Depois de muitas negociações,
no dia 28 daquele mês (prazo limite constante do decreto para que se fechasse o
acordo para implementação da decisão do governo Evo Morales), a Petrobras e a YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos) anunciaram a conclusão de um acordo.
Ficou acertada a permanência da companhia brasileira na Bolívia, nos negócios de
exploração e produção de gás dos campos em que atua, principalmente os de San
Alberto e San Antonio, em Tarija, por mais 30 anos. Ao final desse prazo, a
Petrobras terá que devolver seus ativos ao governo daquele país.
No último dia 20, em audiência pública na Comissão de Serviços de Infra-Estrutura do
Senado, a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse que o Brasil depende do fornecimento de gás da Bolívia e que esse combustível é extremamente
importante em uma visão de longo prazo. "No nosso planejamento até 2012,
contabilizamos 30 milhões de metros cúbicos diários de gás boliviano.”
Ela defendeu a continuidade dos investimentos da Petrobras na Bolívia, afirmando que a estatal brasileira conhece as reservas bolivianas e sabe onde trabalhar para elevar sua produção. "Então, precisamos
considerar a continuidade de desenvolvimento dessa produção porque a Bolívia é
nossa parceira, nossa vizinha e porque sabemos trabalhar naquela região.”