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Brasília - Estudo do Grupo
Integrado de Aqüicultura e Estudos Ambientais (GIA), da
Universidade Federal do Paraná, aponta que a falta de
estruturas para beneficiamento do pescado é um dos entraves
para desenvolver a aqüicultura no Brasil. A aqüicultura é
a atividade que se dedica à produção em
cativeiro de peixes, moluscos, crustáceos e outros organismos
aquáticos.
A pesquisa mostra que
as fábricas de beneficiamento se resumem a poucas filetadoras
(cortadoras) de peixes e processadoras de camarão e mexilhão.
Com isso, o pescado chega ao consumidor in-natura, sem estar limpo,
separado em partes ou pronto para o consumo.
O pesquisador Antonio
Ostrensky, um dos autores do estudo, constata que enquanto o
brasileiro pode comprar pedaços de frango prontos para consumo
imediato, o mesmo não pode com o peixe.
“Nenhuma dona de casa
vai no supermercado e compra uma galinha viva ou uma galinha com
pena. Em compensação, você vai em qualquer
mercado e compra o peixe inteiro. Muitas vezes, limpam na hora ou
você tem que limpar em casa. Em qualquer outra área,
isso não existe mais”, diz Ostrensky.
Ele defende que
enquanto o país não adotar essa mentalidade de
processamento, não haverá um crescimento muito grande
da atividade. Segundo ele, a pesca está pulverizada pelo país,
de forma desarticulada, o que dificulta a chegada da matéria-prima
às fábricas de processamento.
Outro obstáculo
detectado pela pesquisa é a burocracia para o acesso à
empréstimos para custeio. De acordo com o estudo, as
instituições bancárias exigem garantias que
estão além da capacidade dos pequenos produtores, como
apresentação de avalista.
“O problema do
crédito rural no país não é propriamente
a inexistência de recursos, mas sim a dificuldade de acesso a
eles e o seu custo para as pessoas físicas e jurídicas”,
diz a publicação.
Ainda segundo o estudo,
a maior parte do setor critica a ausência de políticas
públicas que visem à capacitação dos
produtores e a defesa sanitária.
“Falta tudo. É
preciso organizar agora para que as coisas se desenvolvam”, diz
Ostrensky.
Outros problemas que
afetam a aqüicultura, como a outros setores da economia são
as estradas ruins, a carga tributária, a corrupção,
a falta de marcos legais e as dificuldades para concessão de
licenciamento ambiental.
O estudo, intitulado
Aqüicultura no Brasil – o Desafio é Crescer, foi
lançado hoje (18) no Palácio do Planalto. A publicação
foi solicitada pela Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca
da Presidência da República (Seap) em parceria com a
Organização das Nações Unidas para
Agricultura e Alimentação (FAO).
No lançamento, o
ministro da Seap, Altemir Gregolin, admitiu que o setor necessita de
um plano de longo prazo para enfrentar os gargalos e pediu apoio dos
governos estaduais e municipais. “Não é suficiente o
governo federal abraçar essa causa. Precisamos que os governos
estaduais, prefeituras abracem essa causa”, apelou.
Gregolin enfatizou que
a aqüicultura pode gerar oportunidade de trabalho para os
beneficiados com o Bolsa Família. Segundo o ministro,
famílias que eram atendidas pelo programa na Paraíba
estão ganhando R$ 500 por mês com a produção
de pescado em reservatórios estaduais.
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