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18 de Dezembro de 2007 - 15h27 - Última modificação em 18 de Dezembro de 2007 - 15h27


Estudo aponta principais problemas para o crescimento da aqüicultura no país

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Estudo do Grupo Integrado de Aqüicultura e Estudos Ambientais (GIA), da Universidade Federal do Paraná, aponta que a falta de estruturas para beneficiamento do pescado é um dos entraves para desenvolver a aqüicultura no Brasil. A aqüicultura é a atividade que se dedica à produção em cativeiro de peixes, moluscos, crustáceos e outros organismos aquáticos.

A pesquisa mostra que as fábricas de beneficiamento se resumem a poucas filetadoras (cortadoras) de peixes e processadoras de camarão e mexilhão. Com isso, o pescado chega ao consumidor in-natura, sem estar limpo, separado em partes ou pronto para o consumo.

O pesquisador Antonio Ostrensky, um dos autores do estudo, constata que enquanto o brasileiro pode comprar pedaços de frango prontos para consumo imediato, o mesmo não pode com o peixe.

“Nenhuma dona de casa vai no supermercado e compra uma galinha viva ou uma galinha com pena. Em compensação, você vai em qualquer mercado e compra o peixe inteiro. Muitas vezes, limpam na hora ou você tem que limpar em casa. Em qualquer outra área, isso não existe mais”, diz Ostrensky.

Ele defende que enquanto o país não adotar essa mentalidade de processamento, não haverá um crescimento muito grande da atividade. Segundo ele, a pesca está pulverizada pelo país, de forma desarticulada, o que dificulta a chegada da matéria-prima às fábricas de processamento.

Outro obstáculo detectado pela pesquisa é a burocracia para o acesso à empréstimos para custeio. De acordo com o estudo, as instituições bancárias exigem garantias que estão além da capacidade dos pequenos produtores, como apresentação de avalista.

“O problema do crédito rural no país não é propriamente a inexistência de recursos, mas sim a dificuldade de acesso a eles e o seu custo para as pessoas físicas e jurídicas”, diz a publicação.

Ainda segundo o estudo, a maior parte do setor critica a ausência de políticas públicas que visem à capacitação dos produtores e a defesa sanitária.

“Falta tudo. É preciso organizar agora para que as coisas se desenvolvam”, diz Ostrensky.

Outros problemas que afetam a aqüicultura, como a outros setores da economia são as estradas ruins, a carga tributária, a corrupção, a falta de marcos legais e as dificuldades para concessão de licenciamento ambiental.

O estudo, intitulado Aqüicultura no Brasil – o Desafio é Crescer, foi lançado hoje (18) no Palácio do Planalto. A publicação foi solicitada pela Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República (Seap) em parceria com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

No lançamento, o ministro da Seap, Altemir Gregolin, admitiu que o setor necessita de um plano de longo prazo para enfrentar os gargalos e pediu apoio dos governos estaduais e municipais. “Não é suficiente o governo federal abraçar essa causa. Precisamos que os governos estaduais, prefeituras abracem essa causa”, apelou.

Gregolin enfatizou que a aqüicultura pode gerar oportunidade de trabalho para os beneficiados com o Bolsa Família. Segundo o ministro, famílias que eram atendidas pelo programa na Paraíba estão ganhando R$ 500 por mês com a produção de pescado em reservatórios estaduais.



 


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