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Brasília - A
procuradora do Ministério Público Federal (MPF) em
Palmas (TO), Viviane Araújo, já solicitou formalmente à
subprocuradoria geral da República, em Brasília, a
intermediação do envio de soldados das Forças
Armadas e de policias federais de outros estados para reforçar
a segurança nas proximidades dos municípios de
Cachoeirinha e São Bento do Tocantins. A informação
foi confirmada pelo assessor de comunicação do MPF na
capital tocantinense, Rogério Franco.
No último
sábado (15), quatro homens foram mortos a pauladas por índios
apinajés na aldeia Buriti Comprido, que fica na Terra Indígena Apinajé, área de 141 mil hectares no extremo norte de Tocantins. A preocupação do MPF, segundo Franco, “é
prevenir possíveis tentativas de vingança por parte de
familiares das vítimas”.
O delegado da Polícia
Federal (PF) em Araguaína (T0), Bruno Azevedo, responsável
pelas investigações, confirmou à Agência
Brasil, em entrevista ontem (18) à noite, que foram deslocados índios da aldeia Buriti para um
local a 30 quilômetros de onde ocorreram as mortes, a pedido dos próprios
líderes indígenas. Entretanto, o delegado disse que ainda não
foi identificado risco de agressões iminentes.
As informações
preliminares são de que pelo menos cinco pessoas encapuzadas,
incluindo servidores da prefeitura de Cachoeirinha, teriam invadido
a área indígena com a intenção de
recuperar um trator. O veículo estaria retido pelos índios
como forma de protesto pela instalação de energia
elétrica e de uma ponte.
De acordo com o último
levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), o município de Cachoeirinha tem 2.171 habitantes e 352 quilômetros quadrados de área.
No início da noite
dessa terça-feira, o prefeito de Cachoeirinha, Messias de Oliveira (PT)
prestava esclarecimentos na Delegacia da Polícia Federal em
Araguaína (TO), responsável pelas investigações. Em
entrevista à Agência Brasil, o assessor jurídico
da prefeitura, Rodrigo Coelho, confirmou a presença de dois
secretários municipais na ação, mas ressalvou
que eles teriam agido por conta própria, sem nenhuma
orientação por parte do prefeito: “Foi uma ação
isolada de pessoas, moradores, não como funcionários. A prefeitura estava fechada, em recesso desde o último dia 10.
O prefeito estava em Palmas e só retornou ao município
após os fatos consumados”.
Coelho também alegou
que a prefeitura notificou a Fundação
Nacional do Índio e o Ministério Público Federal
para que resolvessem a questão de forma conciliatória,
mas não foi atendida : “Se a Funai intermediou algum acordo,
isto aconteceu sem o conhecimento da prefeitura. Em nenhuma momento,
a Funai, nem pelo telefone, contactou a prefeitura para negociação”.
O MPF em Palmas confirma ter recebido ofício da administração
municipal em 29 de novembro e posteriormente solicitado informações
à Funai.
Em nota, a Funai também admite ter sido
procurada pelo prefeito, mas garante que sua administração
regional em Araguaína estava em negociação com
os índios apinajé para devolução pacífica
do trator. Ressalta que “a entrada em terra indígena
deveria ser previamente autorizada pela Funai, garantindo a proteção
e respeito às áreas tradicionalmente ocupadas pelos
povos indígenas, direito reconhecido pela Constituição
da República.” Acrescenta, por fim, que a Polícia
Federal (PF) aprendeu seis armas de homens envolvidos na ação
e que a retenção do veículo se devia ao “não-cumprimento de promessas de construção de estrada e
transporte de palha”.
*Colaborou Morillo Carvalho
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