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Brasília - A reserva
de Dourados, em Mato Grosso do Sul, possui a maior concentração
de índios do país. Cerca de 12 mil cidadãos de três etnias convivem em uma área de 3,5 mil hectares.
“Não há nenhuma outra reserva com tantos índios
em uma área tão pequena”, afirma Zelik Trajber,
coordenador técnico de saúde da Fundação
Nacional de Saúde (Funasa) no Distrito Sanitário
Especial Indígena no Mato Grosso do Sul. Segundo ele, a situação gera violência.
Além
disso, o crescimento populacional é expressivo. A cada ano,
nascem em média 480 índios e o número de mortes
fica em torno de 90. “É uma bomba-relógio Se hoje eu
tenho quase 12 mil índios, daqui a cinco anos vou ter 5 mil a
mais”, diz Trajber.
O
processo de confinamento gera mal-estar dentro das comunidades, além
da falta de perspectiva de auto-sustentabilidade. A avaliação
é do assessor jurídico do Conselho Indigenista
Missionário (Cimi) de Mato Grosso do Sul, Rogério
Batalha Rocha.
Para
Rocha, falta vontade política na demarcação das
terras indígenas. “A Constituição é
clara: identificada uma terra como sendo indígena,
independente do que incide sobre ela, deve ser demarcada. O que a
gente vê hoje é o desrespeito à legislação. O governo federal está descumprindo a Constituição”, afirma. Segundo ele, atualmente existe uma política
governamental que valoriza o agronegócio em detrimento dos
direitos sociais.
O assessor do Cimi destaca os impactos culturais da falta de terra para os índios,
especialmente a proximidade das cidades, que gera um processo de
discriminação contra os indígenas. Essa questão
também é ressaltada por Zelik Trajber. Segundo ele, a
proximidade das cidades facilita a entrada de drogas e de bebidas,
além de ser um complicador na relação cultural
com a sociedade.
O
historiador Antônio Brand também defende o cumprimento
da Constituição Federal. Para ele, a lei diz claramente
o que é terra indígena e como o governo deve proceder,
mas os interesses do latifúndio têm mais força
que a legislação, na sua avaliação.
“O
governo tem sistematicamente se submetido às pressões
dos grandes grupos ligados à terra. Então, o problema é
esse, há terra bastante para o agronegócio, há
terra suficiente para os povos guarani poderem levar uma vida digna.
Mas a única coisa que falta, ao meu ver, é interesse
político de enfrentar o problema”.
O
administrador-executivo da Fundação Nacional do Índio
(Funai) na região sul do Mato Grosso do Sul, Eliezer Cardozo,
admite que a área destinada aos índios na região
é pequena. Segundo ele, a Funai está tentando ampliar
essas áreas. “Não sei de que forma que vai ser, mas a
Funai vai dar um jeito”, afirma.
Cardozo
também acredita que os principais problemas sociais
registrados entre os índios da região são
decorrentes da falta de espaço. “Índios precisam de
espaço, eles não são iguais a nós. A
gente consegue viver em 350 metros quadrados, eles não
conseguem. São nômades, andam, gostam de caças”,
afirma o representante da Funai.
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