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Brasília - A Comissão de
Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou hoje (19) projeto
que susta os efeitos do decreto que embasa a demarcação
das terras quilombolas. O texto segue para a Comissão de
Constituição e Justiça.
O Decreto 4.887 foi
assinado em 2003 do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Passou para o Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária (Incra) a responsabilidade pela titulação
das terras de remanescentes de quilombos e legitimou o
auto-reconhecimento das comunidades. O Projeto de Decreto
Legislativo 44 de 2007, votado hoje, propõe a anulação
de todos os atos administrativos publicados com base no decreto
presidencial.
Segundo o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), autor
do projeto, os quilombolas devem ter apenas as terras que habitam. “A
situação dos quilombolas vai continuar a mesma”, diz.
“Nós queremos que seja feita a regulamentação
das áreas que os quilombolas ocupam, conforme diz a
Constituição, nós reconhecemos isso, mas não
concordamos com o fato de eles quererem a posse de terras que não
pertencem a eles. Por exemplo, eles têm uma terra de 4 mil
hectares e querem 8 mil, nós não concordamos, porque
estas terras têm proprietários, têm escritura, têm
agricultores.”
Colatto afirma que seu
projeto, se aprovado em definitivo, evitará maiores conflitos
no país. “O Poder Executivo tem que respeitar o que diz a
Constituição, e não criar novas áreas que
vão trazer um conflito para o Brasil tirando proprietários
legítimos para assentar os quilombolas. Isso traria um gasto
imenso para o país. O governo teria que pagar para
desapropriar e depois reassentar essas pessoas por meio da reforma
agrária.”
Para a coordenadora do
Movimento Quilombola em São Paulo, Regina Pereira, o projeto
dificulta ainda mais a situação dessa população.
“Todas as comunidades quilombolas têm um documento de 1876
doando essas terras aos nossos antepassados. O governo tem o
conhecimento desse documento, mas não faz o reconhecimento
dele.”
Pereira acrescenta: “Isso é um retrocesso em
nossa história, a verdade é que desde os nossos
tataravós nós recebemos chibatas, o que mudou foi a
forma de recebê-las. Nós não sabemos ainda o que
vamos fazer, mas se for preciso faremos uma revolução”.
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