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Brasília - A idéia de fazer uma investigação parlamentar
sobre a saúde indígena do Brasil surgiu em maio deste
ano. Na época, os deputados Sebastião Madeira (PSDB-MA)
e Waldir Neves (PSDB-MS) colherem as assinaturas necessárias
para a instalação de uma Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) sobre o assunto.
No dia 16 de outubro, a falta de acordo entre as lideranças
partidárias na indicação dos nomes para
presidente, três vice-presidentes e relator levou ao
cancelamento da instalação da comissão.
Incomodados com a demora, os dois proponentes entraram com um mandado
de segurança no Supremo Tribunal Federal para que a CPI fosse
instalada, o que aconteceu hoje (19).
O mandado não chegou a ser analisado pelo STF, mas o
presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP),
determinou a instalação da Comissão.
Na avaliação de Neves, a comissão contraria interesses do
governo. “Ela preenchia todos os requisitos, mas deve ser uma CPI
que estava incomodando alguns setores do governo”, afirma.
Para
Madeira, houve uma tentativa de fazer com que a CPI caísse no
esquecimento. “Não é de interesse dos órgãos
sobre os quais os holofotes serão jogados, tanto a Funai
[Fundação Nacional do Índio] quanto a
Funasa [Fundação Nacional de Saúde]”,
avalia.
Para o indígena Álvaro Tucano, da etnia Tucano, do
Amazonas, que esteve presente na audiência de instalação
da CPI, a demora aconteceu porque a questão indígena
não traz votos para prefeitos e vereadores.
“Mas a questão
indígena merece atenção por parte do governo,
porque nossas crianças serão chefes que vão
dirigir as nossas comunidades, viver nos territórios cheios de
riquezas minerais, biodiversidade e água.”
A
demora na instalação da CPI e o prazo para a conclusão
dos trabalhos preocupou os parlamentares durante a sessão que
definiu o presidente e os vice-presidentes da Comissão. Mas o
presidente eleito, Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), garantiu que, mesmo que o prazo final acabe em março do próximo
ano, ele irá pedir prorrogação.
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